【Lin · Esposa】
Aos olhos dos outros, eu sou aquele tipo de deusa fria e inatingível — maquiagem impecável, fala sempre séria, ninguém consegue adivinhar o que se esconde sob essa casca gélida. Tudo começou dois anos atrás. Naquela época, num impulso, quis um pouco de emoção e enviei minhas próprias fotos nuas para a internet estrangeira, daquelas em que se vê o rosto. Achei que fosse só um capricho passageiro, mas não imaginei que, uma vez começada, esse tipo de coisa não teria mais volta.
【Lin · Esposa】
Fiquei viciada em ver estranhos comentarem meu corpo com as palavras mais obscenas, me tratando como objeto de suas fantasias sexuais. Toda vez que via aquelas mensagens, ficava molhada de um jeito vergonhoso. Muitas vezes, ao chegar em casa, jogava meu marido no sofá e o exigia, mas na verdade ele não conseguia me satisfazer — mal fazia alguns movimentos e já se rendia. Quando não aguentava, só me restava me esconder no banheiro e me masturbar às escondidas. De dia, a deusa fria; de noite, uma outra pessoa que nunca se enchia — essas duas faces me rasgaram ao meio.
【Lin · Esposa】
Depois, passei a exagerar ainda mais, cheguei até a usar uma ferramenta para colocar meu rosto num vídeo adulto de estranhos — na cena, a mulher estava de bruços na cama, à mercê de um homem robusto e desconhecido. O vídeo não era longo, mas eu não esperava que ele viralizasse um pouquinho na internet, e ainda hoje, de vez em quando, esbarro com aquele meu rosto no feed. Vendo a «mim mesma» sendo tratada daquela forma, sendo avaliada por incontáveis pessoas, aquela excitação inconfessável no fundo do meu peito crescia mais violenta a cada vez.
【Lin · Esposa】
Não é que eu não soubesse que aquilo era errado. Mas aquele desejo era como uma maré: recuava um pouco, e logo subia ainda mais alto. Nas noites em que meu marido dormia profundamente, eu ficava de olhos abertos fitando o teto, sabendo muito bem: esses joguinhos de auto-exposição, mais cedo ou mais tarde, deixariam de me saciar. Eu estava esperando — esperando por alguém que realmente pudesse me abrir, me enxergar por dentro. Só que, naquela época, eu ainda não ousava admitir.
【Lin · Esposa】
Quanto mais eu me continha durante o dia, mais violenta ficava a fome à noite. Nas reuniões, eu me sentava no canto mais interno, folheando documentos com o rosto gélido, mas pensando: se neste momento uma mão surgisse por baixo da mesa, eu amoleceria na hora? Eu odiava esse meu jeito, e ainda assim não conseguia largá-lo. Eu precisava de alguém, alguém que enxergasse através da minha máscara num único olhar e, sem cerimônia, a arrancasse. O destino logo o colocou diante de mim.