【Ela · protagonista】
Naquela noite, o que J tirou da bolsa de lona não foi outra coisa: era um rolo de corda de sisal. Áspera, amarelada, com um cheiro de feno seco e de fibra de cânhamo. Eu ri um pouco, achei que fosse brincadeira. Ele não riu. Enrolou a corda duas vezes na palma da mão e me olhou com uma calma que fez meu coração falhar uma batida.
— Vira de costas, com as mãos atrás — ele disse. A voz baixa, mas que não me permitia recusar.
Hesitei por um instante. Estávamos juntos há dois anos, já tínhamos feito coisas que não eram poucas, mas ele nunca havia me olhado daquele jeito. Atrás do quintal havia uma encosta de grama onde ninguém aparecia, o vento noturno fazia as folhas farfalharem, e a lua no alto era fina como uma camada de água. Não sei que fio se cruzou na minha cabeça, mas de fato levei as mãos para trás das costas.
【Ele · J, o namorado sádico】
No instante em que ela obedeceu, meu sangue desceu de uma vez. Eu esperava por esse pensamento havia muito tempo — não queria feri-la, queria vê-la completamente na palma da minha mão. A corda de sisal contornou os pulsos finos e brancos dela, dei um nó e apertei. Ela soltou um — sssh — e aquele som se enfiou no meu ouvido, me deixando mais duro do que qualquer gemido.
Ela é alta, um metro e setenta e pouco, e da cintura para baixo é uma longa extensão de pernas. Vestida, no dia a dia, parece uma pessoa limpa e discreta, mas naquele momento, com os pulsos atados nas costas, as escápulas saltando, toda a linha do tronco dela mudou — mudou para ficar à minha mercê. Segurei a nuca dela por trás e a empurrei lentamente para baixo.
【Ela · protagonista】
Primeiro os joelhos tocaram o chão, depois o meu rosto. Ele mantinha uma das mãos travada na minha nuca e afundou minha bochecha inteira na grama. Fria, espetante, úmida de orvalho. As pontas do capim me cutucavam o rosto, uma a uma, pequenas picadas finas. Instintivamente quis me debater, mas as mãos estavam amarradas com força; a cada movimento, o nó apertava contra o osso do pulso, e aquela pontada subia como um choque.
O estranho é que — eu deveria me sentir humilhada, deveria me achar ridiculamente desajeitada, ajoelhada na grama com a bunda empinada e o rosto enterrado na terra. E, no entanto, aquela dor da corda me prendendo, aquela picada do capim no rosto, funcionaram como se tivessem virado algum interruptor dentro de mim. Minha pele de repente ficou tão sensível que, quando o vento passava pelos pelinhos da minha nuca, eu tremia.
Ele levantou minha saia por trás. O vento noturno se infiltrou, e a minha parte de baixo, nua, ficou de repente exposta ao ar frio. Morri de vergonha e quis fechar as pernas, mas a posição ajoelhada não me deixava juntá-las, só podia ficar assim, aberta, deixando que ele visse.
【Ele · J, o namorado sádico】
Ela já estava molhada. Quando enfiei dois dedos, estava tão encharcada por dentro que dava para ouvir o som da água. Essa mulher que no dia a dia é contida ao extremo, amarrada daquele jeito, com o rosto enterrado na terra, mas com a boceta se abrindo e fechando, sugando meus dedos — esse contraste quase me fez perder a razão.
Tirei o meu, apoiei e encostei nela. As costas dela se curvaram feito um arco, a corda deixava marcas vermelhas nos pulsos, e aquelas marcas eram nítidas de doer sob o luar. Não desperdicei mais palavras, segurei a cintura dela e enterrei tudo de uma vez.
【Ela · protagonista】
No instante em que ele entrou, eu gritei. Não foi aquele gemido abafado de sempre, foi um — ahh — que irrompeu do fundo da garganta, longo, arrastando o final, que assustou até a mim mesma.
Fundo demais. Essa posição era funda demais. Com as mãos amarradas, o rosto colado ao chão, eu não tinha nenhum ponto de apoio, nenhum jeito de escapar. Cada estocada dele batia no fundo, a cabeça dura do pau abrindo o lugar mais interno de mim. Porque eu não conseguia ver, porque não conseguia me mexer, toda a minha percepção se encolheu naquele único ponto da parte de baixo — eu conseguia sentir com clareza o quanto ele estava duro, sentir cada vez que ele se retirava até a entrada e voltava com força, sentir o tremor a cada choque do baixo-ventre dele contra a carne da minha bunda.
Antes, no sexo, eu sempre tinha metade da mente em outro lugar: preocupada se minha expressão estava bonita, se a posição era graciosa, se eu não estava sendo devassa demais. Naquele momento tudo isso sumiu. Com as mãos tomadas, o rosto imobilizado, eu não podia fazer nada, só suportar. E foi justamente esse não poder fazer nada que tornou o prazer mais puro e avassalador do que nunca.
【Ela · protagonista】
Uma onda de orgasmo ainda nem tinha passado e a seguinte já vinha por cima. Eu nunca soube que podia ser assim — onda após onda, quase sem fôlego entre elas. Meu rosto esfregava para lá e para cá na grama, o verde do sumo do capim misturado ao cheiro de terra invadia meu nariz, e as lágrimas, não sei quando, começaram a escorrer, molhando um pequeno pedaço das folhas embaixo da minha bochecha.
Eu me ouvi implorando. Implorando o quê, nem eu sabia. — Chega… demais… — mas o meu corpo, claramente, ia ao encontro dele, a bunda batendo de volta a cada golpe, o oposto exato do que a boca dizia. Essa vergonha do corpo trair a mente, longe de me deixar lúcida, foi como lenha, atiçando ainda mais aquele fogo.
【Ele · J, o namorado sádico】
Ela chorava me implorando, mas a bunda ia sozinha se esfregar na minha virilha. Eu sabia que ela tinha gozado, uma vez, e outra — por dentro ela me apertava violentamente, contraindo em espasmos, me sugando com força. O corpo todo dela tremia: os pulsos presos pela corda, a bochecha colada ao chão, os joelhos ajoelhados, nada estava firme.
Segurei a cintura dela e acelerei o ritmo. O osso púbico batia na bunda dela, plaf, plaf, plaf, soando claramente na noite silenciosa. Os gritos dela ficavam cada vez mais agudos, até que no fim viraram soluços quebrados que não formavam frases. No instante em que explodi dentro dela, senti que finalmente havia encontrado algo que vinha procurando por muito tempo.
【Ela · protagonista】
Quando ele gozou dentro, eu gozei mais uma vez. A coisa escaldante inundou o lugar mais fundo, e eu amoleci por inteiro, a bochecha enterrada de vez na grama, só as mãos amarradas ainda erguidas bem alto atrás das costas, mantendo aquela forma humilhante.
Depois ele desatou a corda; nos pulsos, duas marcas fundas e avermelhadas, ardendo de dor. Mas, olhando para aquelas marcas, senti no peito uma satisfação secreta e indescritível. J me tomou nos braços e sussurrou no meu ouvido: — Esse é um segredo só nosso.
Encostada no ombro dele, olhei para aquele rolo de corda de sisal jogado na grama e de repente entendi: algumas portas, uma vez abertas, nunca mais se fecham. E eu, ao que parecia, já tinha começado a ansiar pela próxima vez.