Não existe cliente impossível

Capítulo 1没有搞不定的甲方

Andarilho · 994 palavras · Português

【Marido · Eu】

A pequena empresa que abri tem toda a sua sobrevivência atada a um único contrato. O vice-presidente daquele cliente, o Diretor Zhou, segura a caneta que pode me erguer ou me fazer fechar as portas. Todos diziam que esse negócio não tinha jeito — todos, menos minha esposa, a Xiao. Naquela noite jantávamos no restaurante mais caro da cidade; ela, taça de vinho tinto na mão, num vestido xadrez, o cabelo longo caindo sobre os ombros, sorriu para mim com toda a calma: «Não fique com essa cara de aflito. Não existe cliente que não se possa conquistar.»

【Xiao · Esposa】

Eu sei do que ele se aflige, e sei também como esse negócio pode ser fechado. Homens como o Diretor Zhou eu já vi demais — na boca falam de contrato, mas os olhos ficam grudados na mulher sem conseguir se soltar. Não é que eu não entenda, é só que não digo. Dei um gole no vinho, e a aliança na ponta do dedo brilhou sob a luz. Pela empresa dele, e também por… um cantinho da minha própria mente que nem meu marido talvez compreenda por inteiro, aceitei este teatro.

【Marido · Eu】

É difícil de confessar, mas tenho um defeito muito grave — tenho medo que outros homens cobicem a Xiao, mas assim que penso nela sendo cobiçada por outros, ou até possuída por outros, endureço a ponto de doer. Nestes anos, foi a Xiao que, aos poucos, mimou esse meu vício inconfessável até virar um acordo tácito entre nós. Ela sabe, melhor do que ninguém, da fera enjaulada no meu coração, e sabe, melhor do que ninguém, como saciá-la.

【Xiao · Esposa】

Na manhã seguinte, cedo, o motorista estacionou a ampla van executiva lá embaixo. Sentei-me no banco de couro bege, o corpo envolto num vestido de tricô branco, as pernas longas cruzadas, sapatos de salto cravejados de brilhantes nos pés. Do lado de fora da janela o sol estava perfeito, mas eu pensava naquela cara oleosa que teria de enfrentar em breve. A barra do vestido escorregou até a raiz da coxa, e por baixo a calcinha de renda branca aparecia e desaparecia; sem alarde, puxei a barra do vestido — daqui a pouco vai haver muito o que mostrar.

【Marido · Eu】

Eu a acompanhei. O escritório do Diretor Zhou fica no último andar, e do outro lado da janela panorâmica se via meia cidade. Assim que ele viu a Xiao, os olhos ficaram parados, e por baixo daquela formalidade de negócios escondia-se uma cobiça sem o menor disfarce. Ele nos recebeu com entusiasmo, dizendo com a boca que «a questão do contrato é fácil de conversar», mas as mãos já começavam a arranjar pretextos para servir chá e água à Xiao. Eu, sentado a um lado, com o coração disparado, metade de nervosismo, metade porque aquela fera despertava de novo.

【Xiao · Esposa】

Hoje me vesti de forma recatada: uma camisa branca, por cima um blazer azul-marinho justo, embaixo uma saia lápis da mesma cor, sob a saia uma meia-calça preta, saltos finos de grife nos pés. Os botões da camisa abotoados com rigor, prendendo aquele par farto de forma comportada. Mas eu sei que os olhos do Diretor Zhou já tinham despido essa compostura, camada por camada. Quanto mais recatada, mais sedutora — essa lógica eu entendo bem demais.

【Marido · Eu】

Ele arranjou um pretexto para dispensar a secretária, e no escritório restamos só nós três. O ar mudou de cheiro de repente. O Diretor Zhou pousou a xícara de chá, olhou a Xiao com um sorriso e lançou um olhar significativo para mim: «O contrato do Diretor Lin não é que não possa ser fechado… depende só de a senhora Lin querer ou não me fazer companhia para conversar.» Chegando a esse ponto, qualquer um entendia. Abri a boca, a garganta seca, mas não saiu uma palavra.

【Xiao · Esposa】

Olhei um instante para o marido ao meu lado — ele não me impediu, apenas apertava com força o braço da cadeira, e aquele resquício de conflito e de expectativa nos olhos dele eu enxergava com clareza. Ri por dentro com frieza e, em silêncio, dei um suspiro; levantei-me devagar, ajeitei a barra da saia e forcei um sorriso decoroso para o Diretor Zhou: «O Diretor Zhou está brincando. Quanto ao contrato, confio no senhor.» Dado esse passo, não há caminho de volta. E eu, curiosamente, sentia uma ponta de expectativa.