【Lin · A esposa】
Aquela frase foi ele quem disse primeiro, mas no meu coração eu já a tinha pensado bem antes dele. Estamos juntos há cinco anos, e aos vinte e seis anos eu já o conhecia por completo — em que dia ele está cansado, em que dia está com desejo, que segunda intenção se esconde por baixo de que frase séria, eu percebo tudo. Naquela noite, com a luz apagada, ele me abraçou por trás, a respiração soprando na minha nuca, e de repente perguntou baixinho: se um dia deixasse outro homem te tocar, você iria querer. Eu não respondi na hora, só senti meu coração pular meia batida, e ali embaixo, sem controle, esquentar um pouquinho. Fingi dormir, mas ele com certeza sentiu aquela umidade na raiz das minhas coxas, porque a mão dele parou ali, e por muito tempo não se moveu.
Não sei como descrever essa sensação. Não é que eu não o ame, é justamente por conhecê-lo demais, a ponto de saber de olhos fechados como ele vai me beijar no passo seguinte, como vai entrar, quando vai soltar um gemido abafado. Cinco anos como um caminho já batido, seguro, e também aos poucos ficando sem surpresas. Aquele pensamento perguntado por trás foi como pingar algo numa água morna, e o copo inteiro se agitou. Eu morria de vergonha, mas não conseguia parar de imaginar — imaginar a mão de um homem que eu não conhecesse de jeito nenhum, imaginar que ele não soubesse onde eu tenho cócegas, onde sou sensível, aquele sabor apavorante e escaldante de ser reclamada por alguém do zero.
【Eu · O marido】
Depois de dizer aquela frase, me arrependi por meio segundo, e me alegrei pela noite inteira. Um homem de vinte e sete anos não deveria ter esse tipo de pensamento, eu sei. Mas olhando o perfil dela, vendo-a fingir que dormia com as orelhas vermelhas por completo, eu entendi — ela também quer. Esse pensamento eu criei na cabeça por mais de meio ano. No começo foi por acaso, abri um filme na internet, um marido observando ao lado a própria esposa ser prensada sob outro homem, eu deveria achar nojento, mas fiquei duro a ponto de doer. Só depois, aos poucos, admiti que o que me excitava não era a traição, era o jeito dela descontrolada sob outro, era aquele orgulho absurdo de «ela é minha, mas eu, generosamente, a empresto por um instante».
Mas na hora de avançar de verdade, eu amarelava. De madrugada, com ela dormindo profundamente, sozinho diante da tela do celular, a ponta dos dedos pairando sobre aqueles posts de fórum sem conseguir apertar por muito tempo. Eu temia que ela me achasse um pervertido, temia que esses cinco anos abrissem uma fenda assim. Até que um dia, depois do banho, com o cabelo molhado, ela se encostou em mim e disse bem baixinho: aquilo que você me perguntou da última vez... será que a gente pode, primeiro só olhar. Só essa frase, como se alguém tivesse empurrado aquela porta para uma fresta, e pela fresta a luz entrou tão forte que eu não conseguia abrir os olhos.
【Lin · A esposa】
«Primeiro só olhar» foi o degrau que eu arrumei para mim mesma. Olhar não faz mal nenhum. Então nós dois, ombro a ombro, apertados diante de um notebook, cadastramos naquele fórum feito especialmente para casais. Eu vestia uma camiseta velha dele, ele com uma mão apoiada na minha coxa, éramos como dois estudantes fazendo travessura pela primeira vez, deslizando por post após post, o rosto cada vez mais escaldante. Havia coisas explícitas até o insuportável, e havia também coisas escritas com seriedade, com contenção. Vimos muitas, e descartamos muitas em silêncio — aquelas que de cara já queriam «encontro presencial», queriam criar grupo, deixar contato, nós pulávamos, davam uma sensação de insegurança só de olhar, e não era o tipo de coisa que queríamos.
E então paramos na página inicial de um casal. Eles eram um pouco mais velhos que nós, pela descrição por volta dos trinta e cinco. O homem escrevia com firmeza, sem untuosidade, sem pressa de macaco, dizia que faziam isso há vários anos, e o que mais valorizavam era que os quatro estivessem confortáveis, todos por vontade própria, qualquer passo que não se quisesse continuar podia ser interrompido a qualquer momento. A mulher soltava uma frase de vez em quando, o tom desenvolto e com um toque de manha, dizia para não a tratarem como um vaso decorativo, ela sabia melhor que qualquer um o que queria. Encarei aquelas palavras por muito tempo, e aquela gota no meu coração começou a se agitar de novo. Ele virou a cabeça para mim: só eles? Não falei nada, apenas empurrei a mão dele apoiada na minha coxa um pouco mais para dentro.
【O outro · O homem maduro】
Ao longo desses anos vi jovens demais recuarem na porta. Do outro lado da tela apareceu um par de rostos novos, a foto de perfil de costas, falando com uma polidez quase acanhada, quase que eu conseguia enxergar através das palavras as mãos apertadas deles. O rapaz perguntava de forma direta, e também com bravata; aquela moça quase não falava, mas as uma ou duas frases que soltava de vez em quando revelavam muito mais que o rapaz — ela quer, só não ousa admitir que quer. Esse tipo é o que exige mais cuidado, e também o que mais vale a pena. Não dá pra ter pressa. Quem tem pressa come feio, e espanta as pessoas.
Eu e minha esposa fazemos isso há muitos anos, já passamos da fase de buscar novidade. O que realmente nos faz continuar é aquele processo de abrir, aos poucos, duas pessoas que originalmente só pertenciam uma à outra, vê-las se soltarem sob os olhos do parceiro, e depois, no fim, se aproximarem de novo, mais próximas. Eu respondia cada frase deles deixando margem: sem prometer nada, sem apressar, primeiro marcar um encontro, tomar um café, os quatro sentados, ver a química, ver se o clima combina. Se der para conversar, o resto se resolve; se não der, a gente termina o café e fica como amigos. Minha esposa, olhando eu digitar ao lado, riu e me deu um beliscão: começou de novo com esse joguinho de controle. Eu disse, é para deixar as pessoas tranquilas.
【Eu · O marido】
O encontro foi marcado num café de esquina no oeste da cidade, numa tarde de pouco movimento. Cheguei dez minutos antes, a palma das mãos toda suada, olhando a porta repetidamente. Ela de braço dado comigo, as unhas cravando na minha carne uma a uma, eu sabia que ela estava mais nervosa que eu. Quando aquele casal empurrou a porta e entrou, eu os reconheci de imediato — o homem ainda mais imperturbável que na foto, vestindo uma camisa clara bem passada, o olhar percorreu sem leviandade, mas te avaliando da cabeça aos pés. A esposa dele andava meio passo atrás, com um vestido, ao sorrir os cantos dos olhos subiam, e antes de sentar, com muita naturalidade, pousou a mão no ombro da minha namorada: nervosa? tranquila, também é a primeira vez que vemos vocês.
Os quatro sentados, os primeiros dez minutos foram literalmente cada segundo se arrastando. Conversamos sobre trabalho, sobre a cidade, sobre o gato que eles criavam, tudo conversa fiada da mais segura, mas por baixo de cada frase estava enterrada outra camada. O homem maduro perguntou há quanto tempo estávamos juntos, eu disse cinco anos, ele assentiu, disse que era raro — quem está disposto a chegar junto até esse ponto, no fim, costuma ser gente de relacionamento estável. Essa frase dele foi como remover um pouco daquela pedra no meu peito. Sob a mesa, a perna da minha namorada estava o tempo todo colada na minha, tremendo de leve; aquela esposa, não sei em que momento, virou a conversa para ela, as duas mulheres se aproximaram e cochicharam algo, o rosto da minha namorada foi corando centímetro a centímetro, e também aos poucos se abrindo num sorriso.
【Lin · A esposa】
Ela se aproximou e me perguntou: ele... trata você bem no dia a dia. Eu disse que bem. Ela riu, disse dá pra ver, seus olhos ficam o tempo todo espiando na direção dele. E abaixou a voz, quase num sussurro: não tenha medo, hoje não vamos fazer nada, é só pra se conhecer. Se realmente chegar aquele dia, eu te acompanho, homem às vezes fica mais assustado que mulher, você acredita? Ela me fez rir, e aquela corda que ficou tensa o caminho todo de repente afrouxou pela metade. Ela tinha um perfume muito limpo, de mulher madura, diferente do que eu costumo usar, e eu cheguei a querer me aproximar para cheirar de novo. Naquele instante percebi de repente que, na minha fantasia, o que estava sendo aberto talvez não fosse só aquele homem estranho.
O café chegou ao fundo da xícara, ninguém mencionou as três palavras «próximo passo», mas os quatro sabiam bem no coração que aquela linha já tinha sido discretamente cruzada sob a mesa. Ao sair, o homem maduro se levantou para puxar a cadeira da esposa, virou-se para nós e disse, sem pressa, voltem os dois e conversem direito, a qualquer momento que quiserem parar tudo bem, e a qualquer momento — ele fez uma pausa, sorrindo de forma muito gentil — que quiserem avançar, podem nos avisar. A esposa dele me abraçou, bem de leve, e me disse algo no ouvido, eu não ouvi por completo, só me lembro daquele perfume e da temperatura da palma dela. Ao sair do café, o sol da tarde ofuscava, meu namorado segurou minha mão, e descobri que a palma dos dois estava suada. Aquele café que não terminamos ficou esfriando no nosso coração, esfriou por uma semana inteira.