A Longa Noite da Vice-Diretora

Capítulo 1空房

Andarilho · 1643 palavras · Português

【Ela · Keke / Subdiretora】

Quando Keke apagava a luz, tinha o hábito de primeiro tatear a outra metade da cama. A palma da mão tocava o lençol gélido e, como em toda noite assim, aquele lado estava vazio. Ela tinha trinta anos, seis de casada, e os dias em que de fato dormiu na mesma cama que o marido, somados, davam menos de um ano. O marido trabalhava com obras, sempre em projetos em outra província; ao telefonar, a primeira coisa que perguntava era se ela tinha pago a taxa de condomínio, e a última frase era sempre «dorme cedo». Ela respondia «hmm», desligava, e no quarto restava só o zumbido grave da unidade externa do ar-condicionado.

De dia ela era outra pessoa. Na empresa, todos a chamavam de «diretora»; na verdade era subdiretora, responsável pela rotina de dois departamentos — relatórios, cronogramas, coordenação, tudo impecável. Vestia blusas de tons claros, saias justas, sapatos de salto baixo, o cabelo preso, expondo um trecho limpo do pescoço. Os colegas diziam que ela era «firme», «recatada», «que sabia manter a medida». Ela ouvia e sorria. Ninguém sabia o que estava comprimido embaixo dessa firmeza — como uma pessoa que se mantém tensa o dia inteiro se desmonta no escuro ao voltar para casa.

Hoje à noite também. Terminou o banho, o cabelo ainda meio úmido, deitou-se envolta numa camisola velha. A cortina não estava bem fechada, e uma faixa da luz da cidade vazou para dentro, caindo inclinada sobre o seu baixo-ventre. Ela queria dormir, mas o corpo não obedecia. Fazia três anos que um vazio conhecidíssimo subia lentamente do baixo-ventre, ácido, inchado, como se algo lá dentro batesse de leve à porta. Ela virou de lado, afundou o rosto no travesseiro, tentando não pensar.

Não adiantou. Quanto mais recatada a pessoa, menos consegue se esconder à noite. A mão dela se moveu antes do pensamento, deslizando por baixo da barra da camisola, a palma colando no baixo-ventre, descendo. Quando a ponta do dedo tocou ali, ela estremeceu de leve — já estava úmida, daquela umidade comprimida o dia inteiro que transborda ao primeiro toque. Mordeu o lábio inferior e esfregou devagar, com uma destreza que a deixava até envergonhada. Essa era a lição solitária dela, feita há três anos, silenciosa, contida, com até a respiração abafada, como se de fato houvesse alguém no quarto ao lado.

A polpa do dedo fazia círculos; ela virou o rosto para o lado, os olhos fechados, mas na cabeça, incontrolável, aflorou um rosto. Não era o do marido. Era daquele homem sentado na outra ponta da mesa comprida durante a reunião de dia — aquele velho superior. Ela se assustou por dentro, mas a mão não parou; ao contrário, ficou mais ansiosa, a umidade escorrendo pelas frestas dos dedos, espalhando-se numa pequena mancha escura no lençol. Ouviu escapar de si um gemido nasal levíssimo e se apressou em contê-lo. O clímax veio rápido e raso, como uma onda que sobe à praia e recua, e depois de recuar, o vazio ficou ainda maior.

Ela ficou de barriga para cima, o peito subindo e descendo, os cantos dos olhos um tanto quentes. Um corpo de trinta anos, ainda tão vivo, e no entanto só podia se resolver com a própria mão no escuro. Deu vontade de chorar, e depois achou que era exagero. Muito tempo depois, estendeu a mão no escuro e abriu o celular; a tela acendeu, e era uma mensagem daquele velho superior no grupo de trabalho, enviada meia hora antes: «Amanhã tem a reunião trimestral; aquela parte que você preparou, eu vi, muito boa. A Keke está cada vez mais à altura.» Seguido de um emoji sorridente.

«Cada vez mais à altura.» Ela encarou aqueles seis caracteres por muito tempo. Quando os outros diziam isso, era elogio. Quando ele dizia, no tom havia sempre algo a mais, macio e com peso, como uma mão discreta pousando no ombro dela através da tela. Ela sabia que não era ilusão. Nesse último semestre, aquele «algo a mais» ficara cada vez mais evidente, só que nenhum dos dois havia dito com todas as letras. Ela apagou a luz, mas aquela frase brilhava fraca no escuro.

【Ele · O velho superior】

Seu sobrenome era Cheng, cinquenta e cinco anos, trinta de estrada nesse ramo, já vira todo tipo de gente. Os jovens, os espertos, os que fingem honestidade, os de talento de verdade — de relance ele já distinguia. Mas Keke era daquelas raras — inteligente, mas guardando a inteligência; bonita, mas comprimindo a beleza. Quanto mais uma mulher se comprime, mais interesse ele tem. Já vira demais das que penduram a sedução no rosto, dessas que se enxergam num relance, sem graça. Keke era diferente, como um poço tampado — é preciso chegar perto para ouvir a água se mexendo lá no fundo.

Ele mandou aquela mensagem com cálculo. Elogiou a competência dela, mas o ponto de queda recaiu sobre «você», a pessoa — «a Keke está cada vez mais à altura», uma frase que se pode explicar tanto no público quanto no privado, avançando ou recuando conforme a conveniência. Ele nunca tem pressa nessas coisas. Quem tem pressa são os jovens. Na idade dele, o que importa é o ponto certo, é a medida, é ir apertando uma linha aos poucos, até que ela mesma não distinga se foi puxada ou se veio por conta própria.

Ele conhecia a situação dela. Na empresa não havia nada que ele não soubesse. O marido ausente o ano todo, ela segurando tudo sozinha, e com dignidade. Uma mulher assim, quanto mais dura a casca, mais mole por dentro, mais carente de um toque. Ele não expunha isso; apenas, a cada reunião, a cada relatório, a cada vez que caminhavam lado a lado pelo corredor, fazia a distância encurtar um pouco: parava meio passo mais perto, baixava a voz ao falar, deixava o olhar pousar um segundo a mais no rosto dela — tudo no limite em que ela percebia, mas não podia agarrar prova alguma.

Ele largou o celular e foi até a janela. A cidade brilhava a seus pés. A lista da viagem de trabalho da semana seguinte ele já havia enviado, duas pessoas, ele e ela, para a província vizinha, negociar aquele projeto de parceria. O mesmo hotel, reservado pela empresa. Ele sabia muito bem o que isso significava — longe daquela cidade familiar, longe dos olhos dos colegas, sozinha numa noite estranha, é quando é mais fácil ceder. Ele não forçaria, nunca. Bastava-lhe estar presente, estar ao lado dela justamente quando o ponto certo chegasse. O resto, deixaria por conta dela mesma. Ele entendia bem demais: quem de fato a empurraria por cima da linha nunca seria ele, seria aquele fôlego que ela vinha comprimindo há tempo demais e que estava prestes a não conseguir mais segurar.