Cancelei Quatro Vezes

Capítulo 1第四次我没发消息

Quietude Distante · 260 palavras · Português

Da primeira vez que cancelei, eu tinha um motivo de verdade, algo do trabalho, e era de fato real. Mandei a mensagem, ele disse que tudo bem, e pensei: bom, provavelmente é aqui que termina. Mas três dias depois ele voltou, perguntando se eu queria remarcar. Da segunda vez que cancelei, também tinha um motivo, um pouco mais falso que o primeiro, mas ainda real o bastante para eu dizer em voz alta sem corar. Ele mais uma vez disse que tudo bem.

Da terceira vez, eu não tinha motivo, inventei um. Não me orgulho disso. Eu era simplesmente aquela pessoa que, numa quinta-feira à tarde, sentada no sofá da própria casa, passara a semana inteira querendo ir e que, chegado o dia, não conseguia de jeito nenhum mover as pernas. Mandei uma mensagem dizendo que não estava me sentindo bem. Ele acreditou, ou pelo menos disse que acreditava. Da quarta vez, não mandei mensagem para cancelar, simplesmente não fui. Dessa vez me senti realmente mal. Ele esperou, quanto tempo eu não sei, e depois nunca tive coragem de perguntar. Desliguei o celular por duas horas e, quando liguei de novo, havia só uma linha dele: “Está tudo bem?”

Só aquela linha. Nada de raiva, nada de uma sequência de mensagens cobrando “o que é que está acontecendo com você”, só uma linha, e era sobre mim. Fiquei remoendo aquela frase por dias. Depois pedi desculpas a ele e contei parte da verdade, não toda, não a parte do “eu nem sei do que tenho medo”, mas a parte do “eu estava muito nervosa”, que era verdade. Ele disse uma coisa em que penso até hoje: “Você não precisa explicar. Se quiser tentar de novo, eu estou aqui; se não quiser, também entendo.”

Pensei por mais quatro dias, montando na cabeça uma lista de prós e contras, o tipo de lista que sempre faço quando estou fugindo de uma decisão que, na verdade, já tomei. Da quinta vez, eu fui. Sete minutos atrasada, e ele estava no bar, não à mesa. Tinha pedido uma bebida para si, mas havia outra taça ao lado, e ele não a tinha servido. Só quando me viu foi que serviu aquela taça. Uma coisa tão pequena, aquela bebida que ele deixara sem servir, fez algo dentro do meu peito se mover de um jeito que eu não esperava.