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Capítulo 1Capítulo 1: Ele é mais grosso que você

Andarilho · 2698 palavras · Português (BR)

【Lao Song · Marido】

Três dias de folga pelo Festival do Meio do Outono. Lao Song pegou o trem-bala de Huizhou de volta a Jiangcheng, entrou em casa às quatro da tarde e, antes mesmo de a mala passar da porta, já tinha prensado A-Lan contra ela, beijando com força. Trinta e cinco anos e a mesmíssima cara do rapaz de vinte e quatro que tinha acabado de começar a namorar com ela.

Onze da noite, o ar-condicionado do apartamento alugado zumbindo. A-Lan estava deitada no peito dele, cabelo ainda úmido, cheiro de xampu de limão. Uma das mãos dele ia e vinha pelas costas dela, da omoplata à curva da cintura, sete ou oito vezes antes de ele abrir a boca.

“Conta de novo.” “Contar o quê.” “O mês passado. Você e o A-Kai.”

Um sopro de riso quente saiu do nariz dela e bateu na clavícula dele. “Você já perguntou oito vezes.” “Nona.”

A-Kai ela tinha conhecido num fórum, trinta anos, personal numa academia; conversaram por mais de três meses antes de se encontrarem. No dia do encontro Lao Song estava na fábrica em Huizhou calibrando equipamento, lendo as mensagens dela uma a uma, e depois daquela que dizia “Entrei no quarto”, o celular ficou mudo por exatas duas horas e sete minutos. Ele contou. Passou essas duas horas sentado na escada de ferro da oficina, o Huawei na mão, a tela acendendo e apagando, apagando e acendendo. À uma e três da madrugada ela mandou três palavras: “Ele é enorme.” Ele gozou dentro da calça ali mesmo na escada, sem se tocar.

“Ele me agarrou já na porta”, disse A-Lan, a voz chapada, mesmo falando daquilo, “levantou minha saia por trás e disse: dona Lan, sua bunda é maior que na foto.”

“E aí.” “Aí meu rosto ficou vermelho. A mão dele é áspera, coisa de personal, calo nos dedos, raspava quando pegava na minha coxa.”

Lao Song não disse nada, a mão parada na cintura dela. Toda vez que chegava nessa parte ela dava uma pausa, de propósito, esperando ele insistir. Ele não insistia.

“Quando ele tirou minha calcinha minhas pernas estavam fechadas. Ele abriu elas à força, agachou e me chupou. Por muito tempo, Lao Song. Mais do que você chupa.”

“Quanto tempo.” “Não sei, não olhei o relógio. Até eu mesma levantar a bunda. Até o queixo dele ficar todo molhado.”

O pau de Lao Song endureceu debaixo da coxa dela, rápido, apertando contra ela. Ela sentiu, desceu a mão e deu um apertão, e continuou sem parar.

“Quando ele entrou eu gritei, e ele parou e perguntou se doía. Falei que não.” Ela mordeu o lábio. “Ele é mais grosso que você.”

Lao Song inteiro ficou rígido. Uma frase só, e ele estava duro a ponto de doer, sem nada na cabeça além daquelas palavras girando.

“Quanto mais grosso.” “Como é que eu vou saber quanto, não levei régua.” Ela riu, punhetando o pau dele duas vezes. “Só que alarga, sabe. Quando entrou alargou tanto que eu puxei o ar. Você não viu eu escrever ‘alargou’ naquela hora? Eu digitei pra você.”

“Você digitou ‘Ele é enorme’.” “Dá no mesmo.”

“E depois.” A voz dele tinha ficado rouca.

“Depois ele me virou. Por trás.” Ela falava devagar, despejando uma frase de cada vez no ouvido dele. “Uma mão apertando minha nuca, a outra agarrando minha cintura. Batia tão forte que o copo de água na mesinha não parava de chacoalhar. Eu gritei mais alto do que grito debaixo de você, Lao Song. Eu mesma ouvi.”

“Onde ele gozou.”

“Dentro.” Ela enfiou o rosto no peito dele, a voz abafada. “Quando ele tirou escorreu pela minha perna, fiquei agachada no banheiro um tempão e ainda saía.”

Ele rolou por cima dela, e quando entrou ela soltou um gemidinho; a buceta já estava encharcada, escorregadia, quase sem resistência. Cinco vezes em três dias de folga, e toda vez era assim: ela falava do A-Kai, ele ficava duro, depois subia em cima. Mexendo, o rosto enterrado no pescoço dela, de repente ele soltou.

“Da próxima vez eu quero ver.” “Ver o quê.” “Você com ele. Por vídeo.”

A-Lan parou meio segundo embaixo dele, e então o quadril começou a se mexer sozinho, empurrando contra o pau dele.

“Você não vai voltar pra Huizhou.” “O vídeo é justamente porque eu vou estar em Huizhou.” Ele mordeu a orelha dela. “Apoia o celular na cabeceira, vocês dois fazem, eu assisto de lá.”

Ela não respondeu. Enroscou as pernas na cintura dele e apertou tanto que ele mal conseguia se mexer, só socar pra dentro uma estocada de cada vez. Os gemidos dela saíam espremidos do fundo da garganta, cada um mais alto que o outro, o último arrastado, a buceta estrangulando ele, golfadas de líquido quente escorrendo até o saco dele. Ele gozou dentro e desabou em cima dela, ofegante.

“Sim ou não.” ele perguntou. “Deixa eu pensar”, ela disse.

【A-Lan · Esposa】

Ela pensou por um dia.

Na última tarde do feriado Lao Song voltou pra Huizhou; ela o levou até a estação do trem-bala e voltou pra casa pra ficar sozinha na sala, tirando o Xiaomi do bolso e largando, tirando e largando. Trinta e dois anos, dez de casada com ele, e pela primeira vez sentiu que havia uma coisa naquela casa que era só dela. A-Kai era essa coisa.

Ela mandou uma mensagem pra Lao Song: “Pode ser. Duas condições.” Ele respondeu na hora: “Fala.”

“Uma: sem rosto. Meu rosto não entra no enquadramento. Duas: sem gravação. Ninguém grava nada.” “Fechado.”

“Você aceitou rápido demais.” “Estou no trem, tem gente do lado, é difícil digitar.”

“Então você está duro agora.” Meio minuto depois ele respondeu: “Duro.”

Ela virou o celular de cara pra baixo na mesa de centro, depois desvirou pra olhar mais uma vez aquela palavra, “Duro”, e virou de novo.

À noite ela falou com A-Kai. A foto de perfil dele no WeChat era ele mesmo de costas, ombros tão largos que enchiam o quadro. Ela passou o que Lao Song queria, com toda a educação, e disse que se ele achasse esquisito, deixava pra lá.

A-Kai mandou um áudio, onze segundos. Ela abriu: ele estava na academia, anilhas batendo ao fundo. “Dona Lan, esquisito pra mim não é. Se o Seu Song quer ver, deixa ele ver. Só tenho um pedido. Vou tomar um comprimido antes. Da última vez foi curto demais. Dessa vez eu vou fazer você chorar.”

Ela ouviu três vezes, e na terceira apertou as pernas e um pedacinho do fundo da calcinha ficou úmido. Respondeu com uma palavra só: “Some.” Um minuto depois acrescentou: “Sábado.”

A-Kai respondeu de novo: “Dona Lan, da última vez, quando você foi embora, não olhou pra trás. Dessa vez eu quero que você olhe.” Essa ela não respondeu. Apagou a tela e ficou sentada no sofá, as duas mãos presas entre os joelhos, por um bom tempo.

Sexta-feira, saindo do trabalho, ela não foi direto pra casa; foi ao segundo andar do Wanda. A vendedora da loja de lingerie era dez anos mais nova e perguntou o que ela procurava. Modelo esportivo, ela disse. A moça trouxe três conjuntos e ela escolheu o preto com letras brancas, sutiã com fecho nas costas, calcinha boxer que cobria a bunda. Deu uma volta diante do espelho do provador: a cintura ainda era fina, a bunda um tamanho maior do que aos vinte e um, e mais empinada também. Tirou uma foto, só do pescoço pra baixo, e mandou pra Lao Song.

Lao Song respondeu: “Esse.” Depois: “Que horas no sábado.” “Oito. Ele chega às oito.” “Eu ligo às sete e cinquenta.”

Em casa ela lavou o conjunto e pendurou na varanda. De noite, na cama, os dedos entraram na calcinha e a encontraram já molhada, e ela tirou a mão. Guarda, disse a si mesma. Virou de lado e enfiou o rosto no travesseiro, o nariz cheio do cheiro de cigarro que Lao Song tinha deixado antes de ir. Mas o que ela pensava era na umidade no queixo de A-Kai.

Sábado à tarde ela foi cedo ao hotel Ji, unidade Jiangcheng Wanda, quarto 1208. Quarto padrão, lençol branco, cabeceira de tecido cinza-escuro, uma fita de luz amarela quente ao longo da cabeceira. Deixou a fita de luz acesa e apagou a luz do teto. Na mesinha de cabeceira: uma chaleira elétrica preta, um despertador redondo, um envelope de papel de cartão-chave. Ela pôs o envelope em pé e testou se aguentava apoiar um celular. Aguentava.

Testou a câmera mais uma vez. Celular apoiado no envelope, tela virada pra cama; ela sentou na cama e olhou como aparecia na tela: da clavícula ao joelho, o rosto cortado fora do quadro. Chegou um pouco pra frente e o rosto entrou; recostou e saiu de novo. Decorou a posição: a terceira costura da cabeceira, de cima pra baixo.

Às sete e meia tomou banho, vestiu o conjunto e sentou na beira da cama pra esperar. Pernas fechadas, mãos nos joelhos. Lembrou de quando tinha vinte e um anos e namorava Lao Song, a primeira vez num motel, sentada assim mesmo esperando ele sair do banheiro. Naquela época era ele que ela esperava. Agora esperava outro homem, e ele ia assistir do outro lado de uma tela.

Às sete e cinquenta tocou a chamada de vídeo do WeChat. Ela deslizou pra atender, apoiou o celular no envelope do cartão-chave, tela virada pra cama. O rosto de Lao Song apareceu na tela, atrás dele a parede branca do alojamento em Huizhou e um abajur de mesa. Tinha suor na ponta do nariz dele.

“Vestiu?” ele perguntou. “Vesti.” Ela inclinou a câmera um pouco pra baixo, pra ele ver. “O rosto fica de fora.” “Eu sei.”

“Quantas pessoas aí.” “Só eu. A porta está trancada por dentro.” Ele girou a câmera pelo quarto pra ela ver, beliches do alojamento, a outra cama vazia. “O Lao Chen foi pra casa.”

Às sete e cinquenta e oito a campainha tocou. Ela se levantou, atravessou o carpete descalça até a porta, olhou pelo olho mágico, abriu. A-Kai de camiseta preta, os ombros tapando metade do batente, uma sacola plástica na mão com uma caixa de camisinha e uma garrafa de água dentro. Ele olhou pra ela de cima por dois segundos e largou a sacola na mesa.

“Dona Lan, o Seu Song está aí.” “Está.” Ela ergueu o queixo na direção da cabeceira.

A-Kai foi até lá, se curvou e deu um sorriso pro celular. “Seu Song, quanto tempo.”

Na tela o rosto de Lao Song não se mexeu. “Pode começar”, ele disse.