O Iate e a Sala de Karaokê

Capítulo 1收工后的车里

Andarilho · 1191 palavras · Português

【Yao Wei · Modelo】

No primeiro dia do novo semestre, Yao Wei atravessou a alameda de plátanos com uma braçada de portfólios impressos, jeans e camisa branca, cabelo preso num rabo de cavalo baixo, apenas uma fina camada de primer no rosto. Uma professora do departamento a parou para elogiar como estava em boa forma neste semestre; colegas a chamaram para o refeitório, e ela recusou com um sorriso e um aceno, dizendo que tinha sessão à tarde. Ninguém ligaria essa estudante quieta do último ano ao carro estacionado na garagem do estúdio na noite anterior, com os vidros completamente embaçados. Este ano ela tinha vinte e dois, a agenda lotada, e as pessoas que conhecia ganhavam peso a cada camada — algo que nem o namorado, que ainda esperava sua resposta, sabia.

【Yao Wei · Modelo】

Ela era o tipo de garota cujo contraste estava enraizado no osso. Um corpo de 165, sessenta quilos prensados sobre um peito 80H, qualquer moletom largo empurrado numa curva, e mesmo assim ela sempre escolhia cortes discretos que a escondiam. Quanto mais se escondia, mais quente ardia aquela vergonha exposta quando alguém, depois da sessão, elogiava seu corpo diante da lente como “criminoso demais”. A primeira vez que provou esse calor foi há três meses, no fim de uma sessão externa; o namorado perguntou no grupo a que horas ela voltaria, e ela fitou aquela mensagem enquanto deixava outra mão se esticar do banco do carona. Ao recordar aquela noite, lembrava-se de apenas uma coisa: quando a mão de um estranho a tocou até fazê-la tremer, seu corpo se inclinou em direção àquela mão, não para longe.

【A · Figurão】

Eu o chamo de Ah Lan — sou um dos fotógrafos de moda mais cotados desta cidade. A primeira vez que agendei Yao Wei no estúdio, ela era um rosto novo indicado por um amigo, que disse que o peito da garota era insano e que ela era comportada também. Meio dia de sessão e eu já sabia — ela se soltava diante da lente, mas se encolhia assim que a máquina se desligava. Quanto mais a garota é assim, mais há para abrir. Depois da sessão a levei para jantar, pedi vinho, testei-a. Ela corou com a bebida, mas as palavras não vazavam uma gota; respondia tudo que eu perguntava, só não pegava nenhuma das insinuações que eu jogava. Eu não tinha pressa. Uma garota assim não se pode apressar; ela mesma precisa dar aquele passo à frente.

【A · Figurão】

Depois disso agendamos mais alguns trabalhos, e parei de chamá-la ao estúdio — só a chamava para jantar. Naquele dia, no meio da refeição, saquei um maço de notas e o prensei sob os guardanapos do lado dela, e disse sem rodeios que queria tocá-la. Ela não respondeu de imediato; primeiro olhou o maço, os cílios baixando e erguendo de novo, o olhar indo e voltando entre o dinheiro e o meu rosto. Eu disse que não havia ninguém por perto, que a porta da sala reservada estava trancada. Ela soltou um “hum”, um som tão suave que era como um suspiro. Toquei seu rosto primeiro, o polegar roçando seu lábio inferior, e seus olhos se molharam; depois mais abaixo, amparando aquele par pesado por cima da camisa, e sua respiração se descompassou num instante; e quando minha mão deslizou por baixo da saia, no momento em que a ponta do meu dedo a alcançou, já era uma bagunça escorregadia.

【Yao Wei · Modelo】

Naquele dia ela tomou um banho longuíssimo no dormitório, xingando a si mesma diante do espelho, mas o corpo se lembrava do gosto de ser precificada em números claros, de ser aberta pouco a pouco por um dedo. Ela não sabia dizer o que era; só sabia que, quando o namorado a abraçava, a cabeça se enchia da mão daquela sala reservada, e do maço que ela depois contou duas vezes. Ela começou a ansiar pelas mensagens de Ah Lan.

【A · Figurão】

Depois de algumas sessões ela virou minha amante. Aprendeu mais rápido do que qualquer uma — a levei por todo tipo de jogo, ensinei como usar aquele contraste dela, a levei de avião para fora da cidade, a fotografei diante das janelas do chão ao teto de hotéis, sendo estocada até amolecer. Ela entendia cada vez mais o que queria. Uma vez ela mesma tocou no assunto, disse que queria trazer a melhor amiga também, disse que a garota se fazia de recatada mas na verdade morria de curiosidade sobre o que fazíamos. A noite em que levou a amiga para o quarto foi a primeira vez que aprendeu a compartilhar, e o verdadeiro passo que atravessou.

【Yao Wei · Modelo】

Ela se sentou na beira da cama vendo os dedos de Ah Lan deslizarem para dentro do corpo da amiga, ouvindo a amiga ir de morder o lábio bem fechado a um gemido que não conseguia conter, e de repente entendeu o quão longe já havia chegado. Não era sequestro, não era coerção — cada passo ela dera por conta própria. Ela costurou esse segredo na pele da boa moça, atravessando a alameda de plátanos de dia com o portfólio, entregando o corpo à noite. Ela até começou a desejar coisas mais excessivas — a desejar mais de um par de mãos, a desejar ser transformada, por completo, numa coisa a ser usada. Ela ainda não sabia que o iate ancorado logo além da costa esperava para esticar esse desejo a um lugar que ela não conseguia imaginar.