【Solteiro·Homem】Neste meio eu já sou um veterano aposentado faz muito tempo. Passei da idade de sair marcando encontros e brincando por aí; entrei no grupo só para observar de forma zen, ver a agitação dos outros, de vez em quando ler algumas postagens de madrugada, como um velho soldado limpando o pó do próprio fuzil. Naquela noite eu já estava me preparando para dormir, mas meus dedos, sem saber como, foram subindo a rolagem e cheguei a uma foto compartilhada por um veterano. Só aquela foto, e um impulso subiu direto do baixo-ventre até o cérebro, me pregando inteiro na cama.
【Solteiro·Homem】Na foto estava a mulher dele. Rosto rubro e delicado, lábios vermelhos e boca em forma de amêndoa, um par de pernas de jade longas e retas, mas o quadril farto e cheio; aquela relação cintura-quadril era natural, uma cintura fininha ao extremo e um quadril cheio ao extremo. Havia dois temperamentos sobrepostos no corpo dela — um era a elegância do tipo uniforme, digna, contida, do tipo que abotoa até o último botão; o outro era a sensualidade do tipo streamer, maquiagem carregada, olhar que fisga, como se ela soubesse que estava sendo olhada e ainda assim sorrisse de frente para a câmera. Esses dois contrastes amassados num mesmo corpo, e minha garganta secou de uma vez.
【Marido】Aquela foto fui eu que enviei. Sei que soa estranho falar assim, mas eu simplesmente gosto de ver o olhar dos outros sobre ela — primeiro um instante de estupor, depois aquela cobiça contida, que tenta disfarçar naturalidade sem conseguir. Ela é minha esposa, a mulher que eu levei para casa, mas justamente por isso eu quero mais ainda que os outros também provem aquele sabor de algo «inalcançável». Escolhi por muito tempo até selecionar esta: gola do uniforme, lábios vermelhos, olhar por cima do ombro. Era exatamente esse efeito de tiro certeiro que eu queria.
【Esposa】Na hora de tirar aquela foto eu sabia que ele ia enviá-la. Dizer que não fiquei envergonhada seria mentira, mas dentro de mim havia outra pequena chama ardendo. Eu sou uma pessoa comportada demais durante o dia — uniforme impecável, cabelo sem um fio fora do lugar, falando baixinho, andando no ritmo certo. De tão comportada por tanto tempo, dá uma vontade especial de ser vista naquele pouco de indecência que existe por baixo do comportamento. No instante em que ele apertou o obturador, eu afrouxei de propósito meio dedo da gola, deixando a clavícula aparecer só um pouquinho. Pensei: será que a pessoa que olhar a foto vai perder o sono por minha causa.
【Solteiro·Homem】Nos dias seguintes, eu tive insônia. Isso não é do meu feitio. Depois de tanto tempo fora do meio, eu achava que já estava imune a tudo, e no fim uma foto me devolveu à forma original. O veterano é muito educado; conversando, descobri que ele não escondia nada, pelo contrário, era generoso, disse que a esposa dele também queria conhecer novos amigos e perguntou se eu tinha interesse em nos sentarmos juntos. Eu concordei quase na hora, e só depois de concordar me senti como um novato imberbe recém-chegado ao meio. Depois daquele dia eu até fui cortar o cabelo e levei minha melhor camisa para passar a ferro.
【Marido】Ele concordou bem depressa, e eu fiquei até meio orgulhoso. Marcamos num pequeno hotel da cidade que eu conheço bem, silencioso, com as luzes de neon da cidade do outro lado do vidro do chão ao teto, roxo, rosa, camada sobre camada se dissolvendo, combinando exatamente com aquela roupa dela. Cheguei antes, pedi gelo, pedi algumas bases de destilado e coloquei o jogo de tabuleiro «aviãozinho» na mesinha — é a nossa velha regra, usar o jogo para quebrar o gelo, quem perde paga a prenda, e assim ir gastando o estranhamento aos poucos. Enquanto arrumava as peças, eu ficava pensando: quando ela empurrar a porta e entrar, que expressão ele vai fazer.
【Esposa】Fiquei um tempinho parada do lado de fora antes de entrar. Uma parca preta me envolvia, mas por baixo aquele uniforme não se escondia; ao baixar a cabeça, a gola escura, a linha marcando a cintura, tudo transparecia pelas frestas da parca. Eu estava de meia-calça preta, com um salto alto prateado, o salto fininho, que sobre o carpete não fazia som, mas que fazia qualquer um enxergar meu tornozelo e minha panturrilha ao primeiro olhar. No instante em que empurrei a porta, ouvi a respiração dos dois homens dentro travar por um instante. Aquela sensação de prender o olhar de toda a sala num instante fez meu baixo-ventre apertar.
【Solteiro·Homem】No instante em que ela entrou, toda a luz do quarto pareceu se concentrar sobre ela. O zíper da parca estava puxado até a metade, e por dentro a gola escura do uniforme e os botões prateados apareciam pedaço a pedaço, como um presente aberto só pela metade, e o mais sedutor era justamente esse meio-encoberto. Ela tirou a parca e a jogou sobre o sofá, e aquela silhueta ficou inteira, completa, diante de mim — alta, cintura fina, quadril empinado, a meia-calça preta embrulhando as duas pernas longas até brilharem, e o salto prateado ainda esticando a pessoa dela toda um pouco para cima. Ela ergueu os olhos para mim, os lábios vermelhos se curvaram, e eu admito, minha mente ficou em branco por dois segundos.
【Solteiro·Homem】Já no quarto, eu quase não me atrevia a encará-la de forma tão descarada, mas os olhos não obedeciam, passeando repetidas vezes pelo corpo dela. Aquela relação cintura-quadril era mesmo linda, afundando para dentro e depois saltando para fora, como a curva de um bom instrumento de cordas. Ao se sentar, ela cruzou as pernas sem querer, a meia-calça preta refletindo uma camada de luz fria sob a lâmpada, e aqueles lábios vermelhos e sensuais abrindo e fechando conforme ela falava, minha cabeça só se enchia de imagens que não deveria ter. Ela era muito à vontade, se ofereceu para me servir bebida, a ponta dos dedos roçou o dorso da minha mão, geladinha, e meu coração pulou uma batida.
【Marido】Dava para ver que ele gostava dela, gostava a ponto de já quase não conseguir esconder. Era exatamente a cena que eu queria. Convidei os dois a se sentarem, empurrei o jogo para o meio e disse: velha regra, primeiro duas partidas para esquentar, quem perder paga a prenda. Ela concordou sorrindo, mas os olhos escapavam para o lado dele. Preparei três coquetéis, o gelo tilintando na parede do copo, a bebida doce mas de efeito forte. O clima do quarto foi afrouxando aos poucos, com conversa e risada, como velhos amigos de muitos anos, só que no ar havia uma corda que ia esticando cada vez mais.
【Esposa】Na primeira partida deixei ele ganhar de propósito, mas na segunda foi ele que perdeu. Que prenda dar? Ele mesmo ficou parado sem saber. Fixei o olhar nos pés dele e de repente me deu maldade: disse — de prenda, você veste meia-calça. O quarto ficou meio segundo em silêncio, e então os dois homens caíram na risada. Tirei da bolsa um par de meias-calças roxas que eu tinha guardado, fui até ele e me agachei meio de cócoras à sua frente, enrolando as barras da calça dele para cima. Meus dedos subiram pelo tornozelo dele, e centímetro a centímetro fui vestindo aquele roxo fininho; a perna dele ficou tensa na palma da minha mão. Ergui o rosto e sorri para ele, e vi as orelhas dele ficarem vermelhas.
【Solteiro·Homem】Quando ela se agachou meio de cócoras à minha frente para me vestir aquela meia-calça roxa, eu quase não conseguia ficar sentado. Ela estava de cabeça baixa, os cílios densos caídos, os lábios vermelhos apertando um sorrisinho maroto, as duas mãos deslizando para cima pela minha panturrilha, aquele roxo escorregadio colado à pele, um coceira que arrepiava meu couro cabeludo. Ela, tão impecável no uniforme, fazendo esse tipo de coisa, aquele contraste era mais provocante que qualquer outra coisa — a comissária de bordo digna, agachada aos pés de um homem estranho, vestindo-lhe uma meia-calça. Depois de terminar, ela ainda deu de propósito uma palmadinha leve no meu joelho, ergueu os olhos e disse: «Bom menino.» Esse «bom menino» puxou meu sangue direto para baixo.
【Marido】Vendo-a agachada aos pés dele, vestindo-lhe a meia-calça centímetro a centímetro, a sensação dentro de mim era muito estranha, difícil de dizer se pesava mais o orgulho ou outra coisa. Enquanto ela fazia aquilo, estava relaxada, estava se deliciando, olhos e sobrancelhas arqueados, como um pássaro finalmente solto da gaiola. Eu segurava o copo sem dizer nada, só escureci a luz do quarto mais um grau. A luz de neon entrava pelo vidro do chão ao teto, caindo sobre a clavícula dela e sobre aquele uniforme. Eu sabia: esta noite estava só começando.
【Esposa】Depois de terminar de vestir a meia-calça nele, recuei para o sofá e me sentei, ergui aquele copo de bebida doce e dei um gole, o líquido gelado escorrendo pela garganta, mas o corpo esquentando. O olhar dos dois homens estava sobre mim, um era meu marido, o outro um estranho, e eu sentada bem no meio desses dois feixes de olhar, como sentada num redemoinho morno. Eu sabia como o jogo ia escalar em seguida, e até já estava meio sem conseguir esperar. A eu de baixo do uniforme já estava, há muito, nada comportada.