Tóquio, casar primeiro e amar depois

Capítulo 1契約結婚

Reminiscência · 240 palavras · Português

Meu casamento com Lu Ting foi acertado pelos pais das duas famílias ao longo de um único jantar. Eu trabalhava com design em Tóquio; ele tinha uma empresa em Tóquio. Eu precisava de um motivo para poder ficar; ele precisava de uma esposa para lidar com a família. Assim assinamos um contrato, entregamos os formulários na prefeitura e nos tornamos, aos olhos da lei, marido e mulher — nos conhecíamos havia menos de um mês.

Depois do casamento, mudei-me para o apartamento dele em Meguro. Muito grande, muito vazio, como ele. Na primeira noite, cedeu-me o quarto principal e foi dormir no escritório, deixando só uma frase: «Cláusula três do contrato: não interferir na vida privada um do outro.» O mandarim dele carregava uma certa rigidez de quem ficou tempo demais no Japão. Abraçada às minhas malas, de pé na sala estranha, senti pela primeira vez que essa transação parecia ter algo errado em algum lugar.

Mas na manhã seguinte, ao me levantar, havia sobre a mesa uma tigela de sopa de missô ainda quente e um bilhete: «Não sei do que você gosta, fiz qualquer coisa. Tem comida na geladeira. — Lu Ting.» A letra era feia, mas a sopa caía perfeitamente no meu gosto. Segurando aquela tigela, de pé na cozinha banhada pela luz da manhã, pensei de repente: esse homem que colocou «não interferir» num contrato parece, afinal, não ser tão frio assim.