Seda trêmula

Capítulo 1约见

Andarilho · 1849 palavras · Português

【Novato solteiro·Eu】A noite nesta parte da cidade é pegajosa. O neon se derrama pela janela para dentro, tingindo o carpete de um vermelho-arroxeado que parece fluir. Eu estava parado à porta daquele apartamento, com as palmas das mãos já suadas, esfregando as pontas dos dedos na costura da calça repetidas vezes. Eu quase não tinha experiência — de verdade, quase zero. Toda a minha imaginação até então parava dentro de uma tela, e agora, atrás daquela porta, havia duas pessoas de carne e osso. Antes de tocar a campainha, respirei fundo, mas o ar parecia travar na garganta e não descer.

【Novato solteiro·Eu】A porta se abriu. Quem abriu foi o dono da casa; vou chamá-lo de Mano Y, por enquanto. Ele era mais tranquilo do que eu imaginava, vestindo uma camisa caseira de cor escura, com as mangas dobradas até o antebraço. O olhar dele parou um instante no meu rosto, como se estivesse me lendo. «Não fique nervoso», disse ele, virando o corpo para me dar passagem, com a voz bem baixa. «Sente-se primeiro, beba alguma coisa.» Assenti, o pomo de adão subiu e desceu, e percebi que até as duas palavras «obrigado» saíram um pouco trêmulas.

【Mano Y·Marido】Assim que esse novato entrou, eu percebi — verde demais. Não sabia onde pôr as mãos, o olhar vagava, e ao sentar mantinha os joelhos apertados um contra o outro. Já vi gente demais assim; quanto mais assim, mais interessante. Os realmente experientes é que não têm esse frescor. Servi-lhe algo morno e, de passagem, escureci a luz mais um pouco, para que aquele vermelho-arroxeado se espalhasse ainda mais. Era exatamente esse clima que eu queria: lento, firme, deixá-lo baixar a guarda aos poucos. Dei uma olhadela na direção da porta do quarto — ela ainda estava lá dentro se trocando; eu tinha feito questão de que ela vestisse aquelas finas esta noite.

【Cunhada Y·Esposa】Eu estava lá dentro, e mesmo através de uma porta conseguia sentir aquela tensão silenciosa da sala. Puxei para cima aquela meia-calça preta fininha, deslizando as pontas dos dedos pela panturrilha; o náilon colado à pele, tão fino que era quase transparente, com aquela camada de preto no peito do pé piscando ao se contrair e relaxar. No espelho eu me olhava: os seios não são grandes, mas são firmes, e os mamilos rosados já se erguiam levemente — só de pensar que lá fora, sentado, havia um rapaz que quase não entendia de nada, de pensar em como ele iria me olhar dali a pouco, minha parte de baixo já esquentou uma camada. Eu estava envergonhada, com um pouco de vontade de rir, e ainda com um tantinho de expectativa que eu mesma não queria admitir.

【Novato solteiro·Eu】Quando a porta do quarto se abriu, quase prendi a respiração. A Cunhada Y saiu, toda de preto fino, e aquela meia-calça desenhava a linha das pernas de um jeito longo e brilhante; a cada passo, a luz deslizava sobre elas. Meu olhar caiu sem controle, pousando no peito do pé dela — sob o náilon, os dedos se curvaram de leve, como se soubessem que estavam sendo observados. Levantei os olhos apressado, o rosto pegou fogo de repente, e fiquei ainda mais sem saber o que fazer.

【Cunhada Y·Esposa】O jeito como ele me olhava era direto demais, tão direto que fez minhas bochechas arderem. Mas foi justamente essa falta de jeito que amoleceu meu coração e me deixou ainda mais atrevida. Sentei-me à frente dele e, de propósito, ergui uma perna sobre a outra bem devagar; as meias-calças roçaram entre si, produzindo um brevíssimo «sss». Vi o pomo de adão dele deslizar. «Primeira vez?», perguntei, com a voz suave e baixa. Ele assentiu, as orelhas completamente vermelhas. Aquela coisa envergonhada e lasciva dentro de mim de repente subiu, provocada por essa autenticidade.

【Mano Y·Marido】Sentado ao lado, eu a observava provocá-lo, e no meu peito havia algo difícil de explicar. Fui eu quem arranjou tudo até esse ponto, fui eu quem a fez se vestir assim esta noite, fui eu quem convidou esse rapaz inexperiente para entrar. Vendo-a erguer a perna por conta própria, vendo aquele preto fino brilhar sob a luz, vendo-o sem jeito nenhum — eu sentia um estranho orgulho, misturado a algo indescritível, como se uma agulha me cutucasse de leve. Pousei a mão na nuca dela e acomodei uma mecha de cabelo atrás da orelha; era também uma forma de dizer a ele: pode ir, não tenha medo.

【Novato solteiro·Eu】A voz do Mano Y me tirou do constrangimento: «Chega mais perto, não fique tão longe.» Eu me aproximei, e meu joelho encostou no dela; mesmo através daquela camada de preto fino, dava para sentir o calor da pele dela atravessar. Minha mão ficou rígida no ar, sem saber onde pousar. Foi ela quem estendeu a mão primeiro, segurou meu pulso e guiou minha mão até o joelho dela. O náilon era espantosamente escorregadio; assim que a ponta dos meus dedos tocou, foi como levar um choque no corpo todo, até o couro cabeludo formigou.

【Cunhada Y·Esposa】A mão dele estava tão quente, e tão trêmula. Eu segurava o pulso dele e o levava lentamente para cima, do meu joelho em direção à parte interna da coxa, onde o tecido era ainda mais fino. A meia-calça se apertava numa borda tensa na raiz da coxa, e acima dessa borda estava minha pele nua. As pontas dos dedos dele avançavam centímetro a centímetro, tremendo como quem não consegue pisar firme. Ouvi minha própria respiração ficar mais pesada; aquele calorzinho lá embaixo se recolheu para dentro pela raiz da coxa. Apertei as pernas, prendendo a mão dele com mais força entre elas. Esse aperto até me deixou surpresa por um instante — então eu estava mais ansiosa do que ele.

【Mano Y·Marido】«Devagar», eu disse em voz baixa ao lado, metade para ele, metade para ela. Vi que ela já começava a afundar naquilo: o olhar amolecido, os lábios entreabertos. Levantei-me, dizendo que ia pegar uma coisa. Ao caminhar em direção ao armário, olhei para trás — a mão dele ainda estava presa entre as pernas dela, e ela, de cabeça erguida, com o peito subindo e descendo. Abri a gaveta; lá dentro descansavam as coisas que usaríamos esta noite: as prateadas, as vibrantes, as em par. Peguei-as na mão, deslizando as pontas dos dedos por aquela camada fria de metal, e a corda dentro de mim se retesou de uma vez. Esta noite mal havia começado.

【Novato solteiro·Eu】No instante em que as pernas dela prenderam minha mão, houve um zumbido na minha cabeça, e todo o meu nervosismo, toda a minha falta de jeito, foram varridos pela metade. Mas a outra metade ficou ainda mais aflita — eu tinha medo de não dar conta, medo de não aguentar. O Mano Y voltou trazendo uma pequena bandeja, na qual algumas coisas reluziam com brilho frio sob a luz. Eu não as reconhecia bem, só sentia meu coração bater cada vez mais rápido. Ela me deu um sorriso, um sorriso sem qualquer zombaria, apenas um convite morno que envolvia meu ser inteiro.

【Cunhada Y·Esposa】A bandeja foi colocada sobre a mesinha de centro, e vislumbrei aquela peça prateada e aquele parzinho pequeno ligado por um fio. Meu rosto esquentou ainda mais, mas meu corpo amoleceu um passo à frente. Eu sabia até onde as coisas iriam esta noite, e também sabia o quanto eu queria. Estendi a mão e desabotoei para ele o primeiro botão da gola — a clavícula dele se retesava sob a luz. «Não tenha medo», sussurrei junto ao ouvido dele, com a voz tremendo de um jeito que eu mesma não conseguia controlar. «Esta noite, entregue-se a nós.»