A história de B

Capítulo 1他要我讲B

Andarilho · 0 palavras · Português

【Ela · Namorada】Antes de conhecê-lo, eu achava que corno era só uma palavra da internet, um rótulo usado para humilhar alguém. Depois de conhecê-lo, descobri que existem pessoas que são corno de verdade, de bom grado, e até com orgulho — ele era assim. Ele não escondia, não disfarçava; ele tratava isso como a coisa mais íntima e mais importante entre nós dois, guardava com o mesmo carinho que outros casais guardam suas datas comemorativas.

【Ela · Namorada】Na primeira noite em que fomos para a cama, no meio do ato ele de repente parou, enfiou o rosto no meu pescoço e, com a voz bem baixinha, perguntou: «Aquele homem que você teve antes, como ele se chama?» Naquele momento meu corpo inteiro travou. Eu achava que esse era o maior tabu para um homem, a última coisa que ele iria querer ouvir. Mas ele não tinha medo — ele queria ouvir. A respiração dele ficou pesada de repente, e aquilo que estava pressionado contra o meu corpo ficou ainda mais duro; eu sentia através da pele.

【Ela · Namorada】Hesitando, eu disse só uma letra: «…B.» Eu não queria dizer o nome inteiro, nem devia — aquela era a privacidade de outra pessoa. Mas ele reagiu como quem ganhou um tesouro, repetindo aquela letra sem parar, «B… é o B, né», e a cada repetição se mexia com mais força. Naquele instante eu não sabia bem o que sentia — vergonha, vergonha de verdade, o rosto ardendo; mas o corpo, sem explicação, esquentava também. Ser lembrada assim, como «aquela outra eu», era como uma corrente proibida subindo pela minha espinha.

【Ele · Namorado corno】Eu sei que um homem normal não deveria ser assim. Também já me perguntei se eu tinha algum problema. Mas não consigo me enganar — no instante em que aquela letra saiu da boca dela, eu fiquei duro a ponto de doer. Não era uma ereção que vencia o ciúme; era o próprio ciúme que me deixava duro. Minha cabeça se enchia de imagens: como o B a tocava, que expressão ela fazia quando o B a penetrava, o que ela já tinha feito para o B e ainda não tinha feito para mim. Esses pensamentos eram como fogo, ardiam cada vez mais forte, e eu simplesmente não conseguia parar.

【Ele · Namorado corno】Depois daquela noite, passou a existir entre nós uma regra que era só nossa: na cama, era obrigatório falar do B. Não de vez em quando — toda vez. Eu queria que ela contasse, que contasse tudo sobre o B, cada detalhe de quando eles estavam juntos. E eu era ganancioso; não me bastava só ouvir — eu queria que ela reproduzisse em mim, uma a uma, todas as coisas que ela tinha feito para o B. Tudo que ela fez para o B, eu queria igualzinho. Essa era a minha obsessão, e era também o nosso ritual.

【Ela · Namorada】No começo eu não tinha coragem, achava absurdo demais. Mas o olhar dele não me deixava recusar — não era uma ordem, era uma súplica, um desejo quase infantil. Ele dizia, de olhos vermelhos: «Quando você fazia isso pro B, como era? Me ensina, eu quero ser igual a ele.» Quanto mais ele fazia assim, mais aquela pontinha de vergonha em mim mudava de sabor, virava uma excitação estranha, a de ser necessária. Então era assim que se podia segurar um homem com firmeza, usando «o outro homem» como moeda de troca.

【Ela · Namorada】Como no caso da punheta. Comentei de passagem que o B, na época, gostava que eu usasse lubrificante para masturbá-lo, dizia que assim escorregava, que era gostoso demais. Mal terminei a frase e os olhos dele já brilharam. No dia seguinte, ele realmente foi comprar lubrificante, um vidro grande, e o pôs em cima da cabeceira, todo convencido: «Do mesmo tipo que o B usava; você faz igual comigo.» Fiquei entre a raiva e o riso, mas vendo aquela cara séria dele, meu coração amoleceu de novo.

【Ela · Namorada】Despejei o lubrificante na palma e esfreguei para esquentar; quando o segurei, o corpo inteiro dele se retesou. A camada escorregadia o envolveu, minha mão subia e descia, e logo ele não aguentou mais, cerrou os dentes com força e, em poucas passadas, gozou na minha mão. Eu ri dele: «Como você é rápido.» Ofegante, ele reclamou, meio ofendido: «A culpa é sua, que usou a mão… o B também era rápido assim?» Provoquei: «O B aguentava bem mais que você.» Ele ouviu aquilo e aquilo que tinha acabado de amolecer voltou a dar sinais de querer erguer.

【Ele · Namorado corno】Quando ela disse que o B aguentava mais, foi como uma agulhada de azedume no peito, mas lá embaixo veio uma nova onda de calor. É aí que eu não tenho jeito — meu ciúme e meu desejo cresceram grudados, não dá para separar. Eu sei que gozo rápido na mão dela; com qualquer estímulo já não me seguro. Normalmente, transando de verdade, aguento uns dez minutos e pouco, o suficiente para passar. Mas basta ela mencionar o B, basta ela dizer que o B era melhor que eu, e todo o meu autocontrole desaba — e desaba de bom grado.

【Ela · Namorada】Naquele meio mês, ele viajou a trabalho. Antes de ir, me recomendou uma e outra vez: «A primeira coisa que vou fazer quando voltar é te procurar, não esquece.» Concordei de boca, mas por dentro me sentia meio vazia. Esse homem que colocava o meu outro homem como protagonista na cama — nos dias em que ele não estava por perto, eu sentia falta dele. O que era aquilo? Eu não sabia dizer. Só sabia que, no dia em que ele voltasse, eu ia lhe dar uma surpresa que ele nem imaginava — eu já tinha repassado na cabeça, vez após vez, todas aquelas coisas «feitas com o B».

【Ela · Namorada】Na noite anterior à viagem, ele me abraçou e começou de novo com aquilo: «Quando eu voltar, você traz um lanchinho da madrugada pra minha casa e a gente… a gente toma banho junto, tá?» Meu rosto corou. Tomar banho juntos era algo que eu nunca tinha feito com ele. Mas ele parecia já ter um roteiro pronto, e sussurrou no meu ouvido, frase por frase: «Você faz de conta que eu sou o B; você já tomou banho com o B, né? Faz comigo do mesmo jeito.» Não respondi, só acenei com a cabeça no escuro. Aquele aceno transformou cada noite do meio mês seguinte em pura espera.

【Ele · Namorado corno】Cada noite fora, na viagem, minha cabeça se enchia daquela cena que ainda não tinha acontecido: ela entrando com o lanche, nós dois entrando naquele banheiro pequenininho, a água quente caindo, a mão dela cheia de sabonete líquido encostando no meu corpo, e a boca dela contando como era «tomar banho com o B». Eu segurei, segurei firme e não me resolvi sozinho; ia guardar tudo o que juntei nesse meio mês para aquela noite da volta. Eu queria que ela visse com os próprios olhos até onde um corno, dominado por ela por tanto tempo, era capaz de ficar duro por ela.