Um homem que tem tudo

Capítulo 1他点菜时,没有表演

Quietude Distante · 260 palavras · Português

Ele pediu para a mesa inteira sem o menor traço de encenação. Foi a primeira coisa que notei. Não que tenha escolhido tão bem—ainda que tenha acertado tudo, inclusive o prato que eu queria e do qual acabei me convencendo a desistir—foi que não havia exibição nenhuma no modo como fez. Nenhum olhar para mim buscando confirmação, nenhum gesto anunciando “quem manda aqui sou eu”. Ele simplesmente disse ao garçom o que queríamos no tom que se usa para falar do tempo, e devolveu o cardápio. No resto daquela refeição fiquei pensando no que aquele gesto significava, e se o fato de eu ficar pensando nisso também dizia algo sobre mim.

Homens ricos às vezes lhe dão um tipo de atenção que aprendi há muito tempo a ler corretamente. É a bajulação servida como encenação—elogio dito para causar efeito, curiosidade que na verdade é posse, que a faz se sentir especial porque eles querem que você se sinta assim, não porque estejam de fato acompanhando quem você é. Recebi isso demais; conheço sua textura. Este era diferente.

Ele perguntou sobre o meu trabalho—não de forma superficial, mas do jeito que só vem de quem realmente ouviu a primeira resposta. Perguntou-me qual era a parte mais difícil. Eu disse algo vago, que achava o trabalho significativo, mas que às vezes sentia como se, somado, não fosse o bastante. Ele não me consolou. Disse: “Então como seria esse ‘suficiente’?” Eu não soube responder. Eu ainda estou pensando nisso.

Ele tem uma vida em grande escala que não consigo alcançar. A noite toda eu tive consciência dela, do jeito que se tem consciência da altura do cômodo em que se está. Mas o que eu não esperava era que tudo aquilo parecia não ser assunto nenhum para ele. Ele não mencionou seu sucesso, não estabeleceu sua posição de forma alguma. A refeição inteira foi—vou usar a palavra de propósito—silenciosa. Silenciosa neste sentido: nada estava sendo provado.