Na Noite do Coração Partido, um Estranho me Levou do Bar

Capítulo 1他带着新女友,把我扔在原地

Andarilho · 1325 palavras · Português

【Ela · protagonista】

Aquelas duas palavras — o término. Eu achava que já estava preparada havia muito tempo. Mas quando ele finalmente as pronunciou de verdade, foi que eu descobri que uma pessoa pode, em um único segundo, despencar de trinta e sete graus até o ponto de congelamento.

Meu nome é Lin Wan, tenho vinte e cinco anos. Eu e Chen Yu ficamos juntos um ano inteiro — desde aquele último ano da faculdade, passando pela formatura, pelo trabalho, até alugarmos aquele pequeno apartamento de um quarto. Ele foi meu primeiro namorado. A minha primeira vez eu dei a ele no dia do meu aniversário; as velinhas do bolo ainda nem tinham apagado quando ele me abraçou e disse: Wanwan, eu vou te tratar bem, eu juro.

Eu acreditei. Acreditei um ano inteiro. Levei cada juramento dele a sério, entreguei a mim mesma por completo.

E no fim, naquele dia, ele me chamou para sair, bem naquela loja de chá com leite embaixo do prédio. Eu, tola, ainda achei que ele ia me fazer uma surpresa. Ele sentou, mexendo as tapiocas dentro do copo, mal olhando para mim, e disse: «Wanwan, vamos terminar. Eu por você… não sinto mais aquilo. Encontrei uma pessoa mais compatível.»

Uma pessoa mais compatível. Aquelas cinco palavras foram como cinco agulhas, uma a uma cravando no meu coração. Abri e fechei a boca, sem conseguir dizer uma única palavra.

E então — então eu a vi. Uma garota entrou pela porta da loja, veio toda sorridente até o lado dele e sentou, enlaçou o braço dele com naturalidade e olhou para mim, com uma expressão que eu reconhecia bem: a pena de quem venceu. Ele tinha trazido a namorada nova junto. Ele queria, bem na minha frente, me mostrar com que rapidez tinha encontrado uma substituta.

«Esta é a Susu.» Ele apresentou com tanta leveza, como se apresentasse um colega novo de trabalho, «Daqui pra frente… a gente continua amigo, né.»

Amigos. Eu ri, ri até as lágrimas escorrerem. Não disse uma palavra, agarrei minha bolsa e saí. Tinha medo de que, se ficasse mais um segundo, fosse desmoronar ali no meio da rua, de deixar que ele visse o quão arrasada eu estava — isso, sim, seria o mais vergonhoso.

【Ela · protagonista】

Como eu voltei para o apartamento alugado, não lembro absolutamente. Só lembro do momento em que fechei a porta: as pernas fraquejaram e eu escorreguei sentada no chão, as lágrimas caindo como um fio que se rompeu.

Chorei feio. Não daquele jeito de novela, com lágrimas delicadas como pétalas na chuva; era aquele choro sem fôlego, com o rosto todo lambuzado de ranho e lágrima, abraçada aos joelhos, encolhida numa bolinha, sem conseguir soltar a voz, só os ombros sacudindo em soluços. Chorei toda a mágoa de um ano inteiro. Chorei a minha primeira noite, chorei o «eu vou te tratar bem», chorei cada prato que aprendi a cozinhar por ele, chorei todo o futuro que planejamos juntos.

O quarto foi escurecendo aos poucos, e eu não acendi a luz. Chorei da tarde até a noite, sem comer um único bocado no meio de tudo. Fome? Na verdade tinha, o estômago doía surdamente. Mas eu não tinha o menor apetite, sentia só que a pessoa inteira tinha sido esvaziada, tão oca que dava aflição.

O celular acendeu por um instante, era minha melhor amiga perguntando como eu estava. Fiquei encarando aquela linha de texto por muito tempo, sem responder. Não queria falar, não queria explicar, não queria aceitar nem um único «ele não te merece» de consolo — todas aquelas razões eu já sabia, mas entender a razão e o coração não doer são duas coisas completamente diferentes.

Não sei quanto tempo passou, mas de repente eu me levantei do chão. Já tinha me fartado de ficar encolhida naquele canto feito uma coitada. Por quê? Por que a ferida era minha, o arraso era meu, enquanto ele agora está de mãos dadas com a namorada nova, vivendo muito bem?

Eu quis beber. Assim que esse pensamento brotou, não deu mais para reprimir. Eu quis me embebedar por completo, embebedar até não lembrar de nada, embebedar até não precisar mais pensar nele, embebedar até essa noite inteira ser apagada da minha vida.

【Ela · protagonista】

Fui até o guarda-roupa e desenterrei aquele vestido preto de alcinhas que eu nunca tinha tido coragem de usar. Muito curto, muito justo, com um decote em V profundo — eu tinha comprado com a intenção de fazer uma surpresa ao Chen Yu em alguma data comemorativa. Pensando agora, que ironia.

Fiquei em frente ao espelho e o vesti. A garota no espelho, com pouco mais de um metro e setenta, parecia com a cintura ainda mais fina por ter passado o dia sem comer, as pernas longas surgindo por baixo da barra do vestido, as clavículas bem marcadas. Os olhos estavam inchados de chorar, mas depois que passei o batom, ganhei uma espécie de beleza provocante, de quem já perdeu tudo e não tem mais nada a perder.

Fiquei encarando a mim mesma no espelho por um bom tempo e, de súbito, disse a ela: vá, vá se divertir, vá enlouquecer, vá fazer algo que você nunca teve coragem de fazer. De qualquer forma, já não há mais nada a perder.

Agarrei a bolsa e as chaves, bati a porta e mergulhei nos neons da cidade na madrugada. Aquela Lin Wan dócil, que entregava tudo ao amor, eu a deixei para trás naquele apartamento escuro. Quem saiu porta afora nesta noite era uma outra eu.