Adestrada Como Cadela

Capítulo 1他把手搭上我的椅背

Andarilho · 1543 palavras · Português

[Ela · Protagonista]

Meu nome é Shen Zhiwei, vinte e seis anos, e trabalho como redatora nesta agência de publicidade há três anos. Meus colegas dizem que sou a mais equilibrada da equipe — minha maquiagem nunca borra, a barra da saia sempre fica abaixo do joelho, e nunca termino um e-mail com ponto de exclamação. Eu gostava de ser elogiada por ser tão correta, como uma camisa branca bem passada que ninguém consegue criticar. Até que Gu Han chegou como diretor de criação, e na segunda semana dele eu descobri que, por baixo daquela camisa branca, eu já estava encharcada havia muito tempo — encharcada a ponto de sentir medo de mim mesma.

[Ele · O Dominador Selvagem]

Eu a decifrei logo na primeira reunião. Sentada muito ereta, anotações impecáveis, respostas sempre educadas a ponto de serem impenetráveis. Mas as orelhas dela ficavam vermelhas, e o tendão do pescoço dava um leve espasmo sempre que eu a encarava por mais de três segundos. Uma mulher tão comportada guarda dentro de si algo faminto, quase morrendo de fome — só que ninguém quis arrombar a fechadura por ela. Não tenho pressa. Arrombar uma fechadura é o tipo de coisa que fica mais interessante quanto mais devagar se faz.

[Ela · Protagonista]

Ele nunca me tocava às claras. Só passava pela minha mesa e apoiava a mão de qualquer jeito no encosto da minha cadeira, os nós dos dedos pressionando o couro, a um centímetro da minha nuca — sem tocar, apenas pairando ali. A sala de reunião inteira discutia a veiculação da próxima temporada, e só eu ficava contando se a mão dele desceria. Ela não desceu nem uma vez. Mas aquele calor úmido entre as minhas pernas já tinha respondido por ele, infiltrando-se peganhento na calcinha. Passei a tarde inteira sentada com as coxas apertadas, sem absorver uma única palavra da tela.

[Ele · O Dominador Selvagem]

Uma noite, quando o pessoal já tinha ido embora depois da hora extra, passei por trás dela e, de passagem, apertei mais um furo o cinto solto da saia dela. Só um furo — apertado o bastante para a cintura afundar e ela puxar o ar de repente. Ela não se virou; os ombros ficaram rígidos. Baixei a voz junto ao ouvido dela: “Sente-se reta. Pare de apertar as coxas.” E ela de fato as deixou se abrir. Tão obediente que chegava a ser cômico. Pressionei a parte externa da coxa dela por cima da saia por dois segundos e fui embora — não fiz mais nada. Às vezes não fazer deixa uma mulher em brasa, pendurada no ar, mais do que fazer jamais faria.

[Ela · Protagonista]

Aqueles três segundos — o calor da palma dele através da saia — ainda queimavam quando voltei para o apartamento que divido. Fechei a porta, escorreguei encostada nela até o chão, e só então percebi que a calcinha estava molhada o suficiente para torcer. Eu me odiava. De dia eu era a Shen Zhiwei que precisava alinhar o copo até numa reunião; de noite eu enfiava os dedos ao ouvir uma única frase dele — “Pare de apertar as coxas” — mordendo o travesseiro para não fazer barulho, com a colega de quarto dormindo a apenas uma parede de distância. Xingava a mim mesma de vadia enquanto gozava, as lágrimas molhando um pedacinho da fronha. Minha razão gritava que aquilo era errado, mas meu corpo era vergonhosamente honesto.

[Ele · O Dominador Selvagem]

As mensagens no WeChat vieram naturalmente. Primeiro trabalho, depois conversa até tarde. Certa madrugada mandei: “Ainda acordada? Manda uma foto de como você está agora.” Depois de um bom tempo ela mandou uma selfie de roupa de dormir que só mostrava até a clavícula, toda comportada. Eu ri. “Manda de novo. Quero você de roupa de trabalho, com os botões abertos até o segundo.” Dessa vez a espera foi mais longa — longa o bastante para eu saber que ela estava em conflito — e então a foto chegou. Camisa branca, o segundo botão aberto, uma pequena faixa de pele clara do peito à mostra. Ela não teve coragem nem de colocar o rosto no quadro. É exatamente esse tipo de obediência meio relutante que deixa um homem viciado.

[Ela · Protagonista]

Não sei como consegui apertar o botão de enviar. Enquanto meus dedos trêmulos abriam o segundo botão, eu dizia a mim mesma só uma, só esta, e nunca mais. Mas no instante em que a palavra dele — “Boa menina” — apareceu na tela, meu corpo inteiro foi como se alguém tivesse me acariciado pelo cóccix acima, formigando tão gostoso que minhas pernas não fechavam. Depois ele me mandou vestir aquela saia curta de fantasia de diabinha que o departamento comprara para o evento de Halloween, e tirar uma foto de corpo inteiro. Fiquei diante do espelho, a saia curta demais para cobrir o topo das coxas, e por baixo eu já era um lamaçal, a calcinha grudada e molhada. Eu tirei. Enviei. E depois me agachei no chão abraçando os joelhos, tremendo — não de medo, mas de prazer, aquele prazer vergonhoso de entregar a minha casca comportada centímetro por centímetro.

[Ele · O Dominador Selvagem]

Guardei um álbum inteiro dela. De roupa de trabalho, de roupa de dormir, daquela saia de fantasia indecentemente curta. Por trás de cada uma eu conseguia imaginar o quanto ela estava molhada na hora de tirar. Nunca forcei rápido demais — a cada vez eu pedia só um pouco mais, como cozinhar em fogo brando, esperando que ela mesma se acostumasse a obedecer, a se despir por mim, a engolir o “não posso” de volta para dentro. Nesta quinta-feira, antes mesmo de eu abrir a boca, ela já perguntava primeiro: “Hoje à noite… você quer ver?” Faminta. Essa fechadura está quase arrombada.

[Ela · Protagonista]

Na noite de quinta-feira eu escorreguei mais uma vez encostada na porta até o chão, encarando aquela frase dele na tela do celular: “Da próxima vez, não vamos fazer através da tela.” Eu sabia o que aquilo significava. Eu deveria ter recusado — sou uma mulher correta que cora até por chegar atrasada, eu não deveria. Mas enfiei o rosto entre os joelhos, e aquele calor úmido familiar entre as pernas começou a transbordar de novo, sem controle, deixando uma pequena mancha escura no forro do vestido. Minha razão gritou uma última vez, fraca — “Não vá” —, mas meu corpo já tinha decidido por mim. Digitei: “Sexta. Minha colega não vai estar. Venha.” No momento em que apertei enviar, pela primeira vez senti que entregar a mim mesma podia deixar as minhas pernas assim tão bambas.