O Exercício Fora de Controle da Vice-Presidente

Capítulo 1阳台上的四次

Andarilho · 0 palavras · Português

[Ela·Gu Zhiwei] Faltavam vinte para a uma quando as três colegas de quarto finalmente pegaram no sono. Gu Zhiwei, deitada em sua cama de cima, olhos abertos fixos no teto, ouvia o som das colegas se virando na cama abaixo ficar aos poucos mais compassado, mais fundo, até que a respiração virou um ruído branco borrado. Seus dedos, sob a coberta fina, já estavam apertados havia muito, as unhas cravando na palma quatro pequenas luas crescentes. Ela conhecia aquela sensação de volta — como uma pequena chama ardendo devagar no baixo-ventre, ardendo a ponto de não conseguir ficar sentada nem deitada, e só fazendo algo era possível apagar.

[Ela·Gu Zhiwei] A ela do dia não era assim. A Gu Zhiwei do dia era representante de turma do terceiro ano da Escola de Belas Artes, vice-presidente do grêmio estudantil, aquela que os professores chamavam de “equilibrada”, “confiável”, a rainha do campus, altiva, sempre de costas retas no corredor, os joelhos juntos, um sorriso na medida exata. Quando os rapazes lhe entregavam cartas de amor, ela as devolvia com cortesia; quando as garotas fofocavam, ela apenas comprimia os lábios sem entrar no assunto. Ninguém sabia que essa garota, que treinou a postura até o padrão de livro-texto, em cinco ou seis noites por semana precisava da própria mão para conseguir dormir.

[Ela·Gu Zhiwei] Ela desceu da cama com todo o cuidado e, da caixa organizadora sob a cama, tirou aquela bacia de plástico azul-clara — usada no dia a dia para lavar os pincéis, e naquele momento, em suas mãos, quieta como uma cúmplice. Levou-a até a varanda; ao abrir a porta, deixou de propósito uma fresta, com a cortina meio corrida. A varanda era de estilo antigo, com uma mureta de cimento até a cintura; lá fora, a algumas dezenas de metros de distância, ficava outro prédio do alojamento bem de frente. Nele, algumas poucas janelas ainda tinham a luz morna e amarela acesa, distantes, sem que se enxergasse ninguém, mas era justamente esse “vai que tem alguém” que fazia seu coração disparar até a garganta.

[Ela·Gu Zhiwei] De costas para a cortina e de lado para a porta do quarto, ela se sentou dentro da bacia; o plástico gelado tocou seu traseiro nu e a fez estremecer de leve. Ela vestia apenas um tops preto de renda vazada, as alças finas frouxas sobre os ombros, o vazado do peito subindo e descendo com a respiração. Embaixo não vestia nada — ela conhecia bem demais o próprio corpo, que estremecia ao menor toque, sensível como se estivesse sem casca. O vento noturno se enfiava pela fresta da mureta, roçando a pele da parte interna das coxas, e seus joelhos, sem querer, se apertavam e voltavam a se afrouxar devagar.

[Ela·Gu Zhiwei] Ela não se apressou em tocar lá embaixo. Ergueu a mão direita e, por cima da renda, massageou o próprio bico do seio. Assim que a ponta do dedo pressionou, aquele pequeno relâmpago endureceu, apontando pontudo contra a barra vazada. Passou o polegar de um lado a outro sobre ele, em círculos, e de repente apertou de leve — uma corrente elétrica finíssima “crepitou” do peito ao baixo-ventre, e ela soltou um “hum” abafado, mordendo depressa o lábio inferior. Alto demais. Virou a cabeça e olhou a cortina meio corrida atrás de si; lá dentro estava escuro, o ronco das colegas ainda presente. O coração batia tão rápido que doía, mas a mão não parava; pelo contrário, esfregava com ainda mais força aquele bico que ela mesma endurecera.

[Ela·Gu Zhiwei] A vergonha e o prazer vinham juntos, impossíveis de separar. Ela era a Gu Zhiwei, era a vice-presidente, aquela boa moça exemplar que criticava até a própria maneira de sentar; e naquele momento estava de bunda de fora, sentada numa bacia de lavar pincéis, numa varanda a dezenas de metros do prédio em frente, apertando o próprio bico do seio e tremendo. Quanto mais pensava no “e se alguém visse”, quanto mais pensava na sua imagem impecável do dia, mais o corpo, incontrolável, esquentava, mais escorria lá embaixo. Ela já sentia aquele lugar molhado, viscoso, exsudando aos poucos até o fundo da bacia.

[Ela·Gu Zhiwei] Ela enfim levou a mão esquerda entre as pernas. Ali era liso sem um único pelo — ela sempre se mantinha bem limpa — e a ponta do dedo tocou naquele momento uma carne macia, escaldante e cheia, já transformada num lamaçal por ela mesma. O dedo médio deslizou fenda acima e encontrou aquele botãozinho já intumescido de sangue; mal a ponta do dedo o tocou, a perna inteira se esticou como se levasse um choque, o calcanhar batendo com um “claque” na borda da bacia. Assustada, ela ficou paralisada, até a respiração parou; só depois de confirmar que não havia movimento no quarto é que ousou recomeçar devagar.

[Ela·Gu Zhiwei] Ela começou a esfregar aquele botãozinho de cima a baixo, a ponta do dedo em círculos, a força do leve ao forte. Conhecia-se bem demais, sabia qual ângulo, qual ritmo a levava mais rápido ao áuge. A cintura, sem querer, empurrava para cima, o traseiro se esfregando no fundo da bacia, o tops de renda escorregando até a dobra dos braços, revelando um par de seios pequenos e empinados, os bicos rosados endurecendo ainda mais ao vento da noite. Ela mordia com força o lábio inferior para não soltar a voz, mas o canto dos olhos ficou vermelho antes, e no seu campo de visão aquelas poucas luzes amareladas do prédio em frente se borravam em halos. Estava perto, estava perto — ela sentia aquela onda familiar subir dos dedos dos pés.

[Ela·Gu Zhiwei] Quando o primeiro áuge chegou, o corpo inteiro se retesou de súbito, os dedos dos pés se enrolando, as coxas apertando com força a própria mão, e da garganta escapou um gemido prolongado, quase inaudível. Lá embaixo a carne macia se contraía em ondas de convulsão, e uma corrente quente escorreu para a bacia. Ela desabou, as costas contra a mureta gelada, o peito subindo e descendo violentamente, a renda colando e descolando da pele em brasa a cada ofego. Ela achou que aquilo bastaria. Mas não bastava — aquela chama só fora abrandada um pouco e, num piscar, já começava a lamber o baixo-ventre de novo.

[Ela·Gu Zhiwei] Ela mesma não sabia explicar que defeito era esse. Os outros bastava uma vez, e ela era como um buraco que não se enche, quanto mais brincava mais queria. Levou a mão de novo para baixo, e desta vez puxou também o tops de renda, sentando-se nua na bacia, uma mão continuando a esfregar aquele botãozinho ainda inchado, a outra apertando o bico do seio. A segunda vez veio mais rápido que a primeira, e mais feroz; o corpo inteiro tremia como uma folha ao vento, sem se importar sequer com a dor dos joelhos batendo na borda da bacia. Mordeu o dorso da própria mão, engolindo de volta todos os gritos, mas as lágrimas escorreram pelas faces.

[Ela·Gu Zhiwei] De repente, a luz de uma janela do prédio em frente se apagou. Seu coração deu um baque, e mil imagens de ser descoberta passaram pela sua mente — alguém com um binóculo, alguém com um celular erguido, o campus inteiro sabendo amanhã que a vice-presidente altiva estava na varanda à meia-noite... Mas quanto mais pensava assim, mais o corpo esquentava até a loucura, e lá embaixo jorrou de novo uma grande golfada. Então aquela imagem impecável que ela temia, que sempre representava, era justamente o que mais a excitava. Pela terceira vez, ela se levou ao áuge, desta vez quase debruçada sobre a mureta, a carne macia do peito prensada contra o cimento gelado, o frio e o calor entrelaçados, forçando-a a tremer por inteiro.

[Ela·Gu Zhiwei] Ela devia parar. A razão gritava “para” repetidas vezes ao seu ouvido, mas a mão, como que possuída — não, por vontade própria — desceu pela quarta vez. Desta vez se movia bem devagar, com apreço, como quem se despede de si mesma, espremendo aos poucos o último resquício. Quando o quarto áuge enfim varreu o corpo inteiro, ela já estava tão exausta que nem tinha força para apertar as pernas, restando só lá embaixo ainda se contraindo em espasmos inconscientes, cuspindo o último pouco de água na bacia.

[Ela·Gu Zhiwei] Ela ficou muito tempo sentada na varanda, até o vento da noite esfriar o suor e a água, e a pele se cobrir de uma pele de galinha densa. Vestiu de novo o tops de renda, levantou aquela bacia da vergonha e a despejou no ralo, enxaguando bem. Ao subir de volta para a cama de cima, uma colega se virou e resmungou algo dormindo, e o coração dela de novo subiu até a garganta, congelou no ar, imóvel, e só depois de um bom tempo ousou se deitar. Fitou o teto, o rosto ainda ardendo, o coração ainda em desordem. Ela sabia que aquela não seria a última vez. Até já começava a pensar — só na varanda, só com a mão, parecia... já não ser bem o bastante.