Aquele Canto do Parque

Capítulo 1第一章 · 三个月后

Andarilho · 1737 palavras · Português

【Ela · A professora batata-frita】

Ela chegou quarenta minutos adiantada à entrada do parque. O vestido era novo, cor de damasco claro, caindo um pouco acima do joelho, e antes de sair de casa girou três vezes diante do espelho, achando-o simples demais, depois achando-o perfeito justo assim — perfeito como se fosse posto ao acaso, mas na verdade cada centímetro fora escolhido para ele. Três meses, cem dias e um pouco mais, ela contara nos dedos. Ele fora para fora da cidade acompanhar um projeto; no começo faziam videochamada todo dia, depois ele ficou tão ocupado que só sobrava um "já foi dormir?" na madrugada, e ela adormecia guardando aquela frase. Esta noite ele voltava. Parada na entrada, ela ajeitava e reajeitava a barra, com medo de que o vento a levantasse, e também com medo de corar assim que o visse, e de ele decifrar como ela suportara aqueles quarenta minutos.

O celular vibrou na bolsa. Ela o pegou; era ele: "Já estou quase chegando, não fica esperando na entrada, tá ventando. Entra mais, você sabe onde." Ela sabia. Claro que sabia. Aquelas palavras eram como uma mão que se esticava pela tela e a empurrava de leve, e seus pés já caminhavam sozinhos para o fundo do parque. Se os alunos soubessem que a professora batata-frita deles estava com o coração assim disparado, provavelmente ririam. Professora batata-frita — esse apelido fora inventado por um aluno no semestre passado, que dizia que ela falava rápido e estaladiço ao dar aula, como batata-frita recém-saída da panela, uma tira atrás da outra, sem parar. No início achava infantil, depois se acostumou, e até passou a gostar um pouco. Ele também gostava, e sempre a chamava assim nas videochamadas, arrastando a última sílaba, de um jeito que amolecia as orelhas dela.

【Ele · O namorado】

Ele estacionou o carro a duas ruas do parque, de propósito. Queria caminhar aquele trecho, queria que o reencontro chegasse mais devagar. Nesses três meses passara a imagem dela pela cabeça inúmeras vezes — os olhos que se curvavam quando ela ria, o queixo que ela erguia sem querer ao contar algo com orgulho, o jeito de encolher a mão sob o queixo ao dormir, como uma gatinha. Mas o da cabeça e a pessoa de verdade eram, afinal, diferentes, e ele temia ficar sem palavras assim que a visse, como o bobo do começo, quando começara a cortejá-la. Apressou o passo e depois se forçou a ir mais devagar. O vento fazia as folhas das canforeiras da beira do caminho farfalharem, a noite acabava de cair, os postes se acendiam um a um, iluminando o chão em quadrados de amarelo quente.

Aquele pavilhão deles fora descoberto por acaso, num passeio dois anos atrás. No canto nordeste do parque, contornando um bosque de bambu, seguindo por uma trilha de cascalho pouco frequentada, ao fim havia um velho pavilhão de madeira, encostado numa moita alta de alfeneiros, três lados cercados de arbustos e trepadeiras, deixando apenas uma abertura voltada para o lago. De dia quase ninguém ia lá; à noite a luz dos postes não alcançava tão fundo, restando apenas o halo distante do outro lado do lago flutuando ao longe. Ali eles se abrigaram da chuva, disseram o primeiro "eu gosto de você", e numa noite ousada cruzaram a linha pela primeira vez. Depois daquilo, aquele pavilhão tornou-se um lugar só dos dois. Ele caminhava naquela direção, o passo cada vez mais rápido.

【Ela · A professora batata-frita】

Ela chegou primeiro. No instante em que contornou o bambuzal, o vento de repente se aquietou, restando só o cantar dos insetos. O pavilhão de madeira continuava o mesmo, o corrimão lustroso de tanto ser tocado, algumas folhas caídas sobre o assento. Ela estendeu a mão para varrer as folhas, a ponta dos dedos tocando a madeira ligeiramente fria, e de repente lembrou que dois anos atrás ele estava sentado exatamente neste lugar, virando o rosto para olhá-la, de um jeito que ela não ousava erguer os olhos. Sentou-se, ajeitou o vestido, abraçou a bolsa sobre as pernas, depois achou que abraçar a bolsa parecia estar se defendendo de alguém, e a pôs de lado. O parque à noite tinha uma ousadia que não existia de dia, como se a escuridão barrasse por ela todos os olhares e lhe permitisse fazer um pouco daquilo que de dia não ousava. Ao pensar nisso o rosto esquentou, e ela logo sacudiu a cabeça.

Passos vieram da trilha de cascalho. Não rápidos, um a um, muito firmes. O coração dela disparava a cada passo. De trás dos arbustos da curva surgiu primeiro um ombro, depois ele inteiro — mais magro do que nas videochamadas, uma barba rala despontando no queixo, os olhos brilhando no escuro, encontrando-a diretamente. Os dois assim se olharam à distância de alguns passos, nenhum falou primeiro. Ela abriu a boca, ia dizer "por que só chegou agora", mas nada saiu, e os olhos esquentaram antes.

【Ele · O namorado】

No segundo em que a viu, todas as palavras que preparara pelo caminho foram esquecidas. Ela estava sentada no lugar de sempre dos dois, o vestido cor de damasco como um pequeno tufo de luz suave no escuro, o rosto erguido a olhá-lo, os olhos brilhantes demais, os cílios tremendo, e as bordas dos olhos avermelharam. Ele deu dois passos em três e foi até ela, sem falar, tomando-a inteira nos braços primeiro. Ela era mais macia do que na lembrança, o cabelo com aquele cheiro familiar, misturado a um leve perfume floral que ela sempre usava. As mãos dela agarraram a roupa das costas dele, agarraram com força, os ombros tremendo de leve em seu abraço. Ele abaixou a cabeça e encostou o queixo no alto da cabeça dela, a garganta entupida, e só depois de muito conseguiu espremer uma frase: — Voltei.

【Ela · A professora batata-frita】

As palavras "voltei" caíram nos ouvidos dela, e ela não se segurou, enterrando o rosto no peito dele, as lágrimas roçando a camisa. Queria xingá-lo por não responder direito às mensagens durante toda a viagem, queria contar como passara esses três meses comendo sozinha e saindo do trabalho sozinha, mas assim que abriu a boca era tudo soluço, e só conseguia socar as costas dele repetidamente, com uma força pequena de quem faz manha. Ele riu, o peito vibrando, uma mão dando tapinhas nas costas dela, a outra amparando a nuca dela, apertando-a mais contra o peito. Ela aspirava o cheiro dele, e o vazio de três meses foi de uma vez preenchido. Ergueu o rosto, ainda com lágrimas, e sorriu para ele: — A professora batata-frita esperou tanto por você que quase esfriou.

【Ele · O namorado】

Ele riu com essa frase provocadora dela, ergueu a mão para enxugar as lágrimas do canto dos olhos dela, a polpa do dedo roçando a face quente. — Se esfriou, eu esquento. — Ao dizê-lo, ele próprio achou a frase um tanto sem-vergonha, mas ela justamente gostou, os cílios tremendo, o olhar fugindo e voltando a flutuar. Ele segurou o rosto dela e, nessa posição, abaixou a cabeça, tocando de leve os lábios dela — só um toque, como quem teme partir algo. Ela, porém, avançou por vontade própria, na ponta dos pés, colhendo aquele beijo e aprofundando-o. Toda a saudade de três meses estava naquele beijo, no início ainda contido, depois nenhum dos dois querendo recuar primeiro. O vento voltou a soprar, balançando os ramos dos alfeneiros, e a luz do outro lado do lago se partiu em cacos sobre a água. Este canto só dos dois esconderia mais um segredo esta noite.