【Ela · A designer】
Quando cheguei ao trigésimo sétimo slide da apresentação, eu já sabia que ele não tinha escutado uma única palavra. A sala de reuniões ficava no vigésimo sexto andar do edifício comercial; do lado de fora da cortina de vidro, a cidade cinzenta do entardecer; a luz do projetor jogava minha proposta na parede — uma reformulação completa de marca, na qual me matei por duas semanas, revisando nove versões. Ele estava sentado na ponta da mesa comprida, com os dedos apoiados no queixo, olhando não para a tela, mas para mim. Para o decote que se inclinava enquanto eu falava, para a cintura que se apertava quando eu apontava a tela.
Meu nome é Lin Zhao, tenho trinta anos e seguro sozinha um estúdio de design que só tem dois estagiários. No trimestre passado, adiantei do meu próprio bolso os salários. Se este contrato fosse assinado, seria trabalho para um ano inteiro, o suficiente para tapar o rombo, o suficiente para eu não precisar mais tremer no meio da madrugada olhando o aviso de vencimento do aluguel.
Por isso, quando ele me olhava, eu sorria. Um sorriso profissional, os cantos da boca erguidos no ângulo exato, mostrando a fileira de cima dos dentes. Esse sorriso eu treinei por muitos anos.
【O cliente · O tiozão】
Essa moça é matéria-prima de primeira. Bastou eu passar os olhos na proposta para saber: profissional, disposta a se esforçar, mais dedicada que aquelas agências 4A com quem já trabalhei. Mas eu vim aqui hoje metade pela proposta, metade pela pessoa. A pessoa é mais interessante que a proposta.
Meu sobrenome é He, trabalho no setor industrial há vinte anos; passou tanto dinheiro e tanta gente pelas minhas mãos que eu mesmo já nem me dou ao trabalho de lembrar. Não me falta uma reformulação de marca — o que me falta é entretenimento. Vi jovens capazes demais de joelhos implorando por recursos, e vi ainda mais mulheres abrindo as pernas para conseguir recursos. O interessante nesta aqui é o seguinte: ela se mantém ereta, empertigada, mas de cara eu percebi que essa retidão é forçada. Quanto mais duro alguém se aguenta, mais bonito é quando desmorona.
«A proposta é boa», eu disse quando ela terminou, erguendo o chá e falando devagar, sem pressa. «O orçamento eu posso subir para uma vez e meia o valor que você pediu.»
Vi os olhos dela brilharem por um instante e logo se apagarem, fingindo calma. Mas os nós dos dedos que seguravam a caneta ficaram brancos. Ela precisava disso demais. Essa necessidade é justamente a coisa que eu ia usar hoje.
【Ela · A designer】
Uma vez e meia. Essas três palavras me acertaram o peito como se alguém enfiasse um maço de dinheiro na minha conta quase zerada. Eu quase agradeci de imediato — até ele acrescentar, com toda a calma, a segunda metade da frase.
«Só que, sabe, um projeto desse tamanho, a gente precisa se aproximar mais, ir se entrosando», ele disse, pousando a xícara de chá, o olhar deslizando sem pressa pelo meu rosto, meu pescoço, minhas clavículas. «Não é fácil você tocar um estúdio sozinha, não é, diretora Lin? De agora em diante… venha sempre fazer companhia ao tio He, tomar um chá.»
Ele mordeu bem de leve o «tio He», mas não era o tom de um mais velho. Era um tom de quem demarca território, como quem carimba a impressão da mão numa coisa que ainda não comprou, mas que já dá como sua por padrão.
A sala de reuniões ficou em silêncio por dois segundos. Ouvi meu próprio coração batendo. É claro que eu entendi — uma mulher de trinta anos, sete anos rodando nessa profissão, como não entenderia? Sobre a mesa estava a proposta; debaixo da mesa estava um outro preço. Ele não disse com todas as letras, e eu também não perguntei, mas a tabela de preços já pendia, claríssima, entre nós dois.
【Ela · A designer】(por dentro · a camada lúcida)
Eu deveria me levantar. Deveria fechar o notebook, dizer «senhor He, nós prestamos apenas serviços profissionais» e sair por aquela porta com dignidade. Isso é o certo, é o que eu deveria fazer.
【Ela · A designer】(por dentro · a camada que faz as contas)
Mas na minha cabeça as contas passaram velozes: aluguel, salários, o saldo devedor com os fornecedores, a promessa de efetivar os estagiários no mês seguinte. Terminei de fazer essas contas, ergui a cabeça, cruzei com aqueles olhos que tinham tudo sob controle e ouvi a mim mesma dizer, com a voz mais serena possível: «Se o senhor He me dá essa honra, o prazer é meu.»
【O cliente · O tiozão】
Fechado. Ergui o chá, escondendo o sorriso. Ela respondeu com elegância — um «prazer» que embrulhou a transação numa casca de decoro. É exatamente disso que eu gosto — não daquelas que já botam o preço na cara, isso é sujo demais; mas dessas que, apesar de terem tudo claro na cabeça, ainda fazem questão de deixar três dedos de compostura para os dois lados. Quanto mais recatada ela finge ser, mais eu quero ver o dia em que ela não vai mais conseguir se aguentar.
«Então está combinado.» Levantei-me e, de passagem, ajeitei o caderno dela que havia escorregado para a beira da mesa, a ponta dos meus dedos roçando de propósito e sem propósito o dorso da mão dela. Ela não recuou, apenas aquele pedaço de mão se retesou de um jeito visível a olho nu. Retesou-se, mas não se esquivou. Isso já basta.
【Ela · A designer】
A ponta dos dedos dele só roçou o dorso da minha mão, um tiquinho de calor apenas, e mesmo assim meu braço inteiro pareceu ter sido queimado, os pelos se arrepiaram. Eu odeio essa reação. Odeio a honestidade do meu corpo — enquanto minha cabeça ainda buscava uma saída digna, o corpo já tinha aceitado essa transação um passo antes.
Ao sair do edifício, o vento noturno soprou e só então percebi que minhas costas estavam encharcadas de suor frio. O celular vibrou; era o assistente dele: «O senhor He disse que na sexta há um jantar, e faz questão da presença da diretora Lin. O endereço será enviado em seguida.»
Fiquei parada na calçada, encarando aquela mensagem por muito tempo. O sinal ficou verde e depois vermelho, vermelho e depois verde de novo. Eu sabia que o jantar de sexta não seria sobre comida. Enfiei o celular de volta na bolsa e peguei um táxi de volta ao estúdio — onde ainda se amontoava a proposta revisada até a nona versão e um maço de cobranças. Disse a mim mesma: é só uma bebida. É só tomar um drinque, só isso.
Nem eu mesma acreditei.