A Regra da Camisinha

Capítulo 1更衣室里的原则

Andarilho · 1406 palavras · Português

[Ela - Protagonista]

Quarenta minutos antes de a academia fechar, o lugar estava quase vazio. Terminei minha última série de elevação de quadril, o suor encharcando meu top esportivo a ponto de poder torcê-lo, o tecido colado ao corpo desenhando o contorno do meu peito. A mulher no espelho de corpo inteiro, o rosto todo corado, o olhar vago — era eu. Quem me conhece sabe que não sou nenhuma moça direita: pego o que quero, vou embora quando enjoo, e nunca me prendo a ninguém com correntes. Mas o naco de músculo em que pus os olhos hoje à noite era tão avantajado que aquela minha desenvoltura de sempre ficou meio insegura por dentro.

[Ele - Atleta Estrangeiro]

Eu estava terminando na área de pesos livres, tirando as anilhas uma a uma e empilhando com ordem — um hábito criado por anos de competição. A academia estrangeira, de madrugada, estava silenciosa a ponto de restar só o zumbido baixo do ar-condicionado e o leve tinir do metal. Aquela garota oriental já dera a terceira volta perto de mim, usando o pretexto de beber água, de se alongar, de ajustar os aparelhos, e a cada vez seu trajeto cortava com precisão minha linha de visão. Nos antebraços bronzeados, as veias subiam e desciam com os movimentos. Eu sabia que ela olhava, e sabia que ela achava que eu não tinha notado. Deixe-a ficar um pouco mais impaciente — quem está impaciente age primeiro. Uma paciência dessas, a arena ensina melhor do que qualquer outro lugar.

[Ela - Protagonista]

O vestiário era aquela sala no fim do corredor compartilhado, a divisão entre homens e mulheres separada só por uma fileira de armários. Diminuí o ritmo de propósito, esperando que ele também entrasse, toalha na mão. O tinido metálico das portas de armário abrindo e fechando soava estranhamente alto no espaço vazio. De costas para ele, sem pressa, puxei da barra para cima o top esportivo encharcado — as costas se revelando centímetro a centímetro, as omoplatas salientes. Eu sabia que essa linha das minhas costas era bonita. Com o top meio tirado, virei-me pela metade, como que por acaso, deixando que ele visse no espelho a curva da lateral do meu seio e as pontas do cabelo caindo soltas.

[Ele - Atleta Estrangeiro]

Aquele corpo meio à mostra no espelho era de uma palidez ofuscante, gotas de suor escorrendo pela fenda da coluna dela. Ela achava que era um golpe demolidor; aos meus olhos parecia mais um convite entregue diante de mim — escrito de forma explícita demais, e por isso um pouco menos interessante. Não desviei o olhar nem me aproximei. Apenas passei devagar a toalha na nuca, deixando que aquele silêncio esticasse o ar cada vez mais tenso. Ela esperava que minha respiração se descompassasse. Mas quem se descompassa deve ser sempre aquele que fala primeiro.

[Ela - Protagonista]

Virei-me por completo, encarei-o de peito nu, o peito subindo e descendo. Num momento desses, um homem já deveria ter se lançado — vi isso vezes demais. Mas ele apenas ficou ali parado, o peitoral bronzeado ainda pingando suor, o olhar tão calmo que fez uma corda dentro de mim retesar com um estalo. Um calor estranho subiu do baixo-ventre — droga, como fui eu a entrar em pânico primeiro? Então resolvi pôr as cartas na mesa, suavizei a voz e enfiei nela aquele isquinho molhado que sempre usei: “Você quer que eu … relaxe você com a boca? Sou muito boa nisso.”

[Ele - Atleta Estrangeiro]

Ela falou. A voz macia como se embebida em água morna, os olhos cheios da certeza de que “você não escapa”. Ótimo. O convite estava na minha mão agora. Mas eu não o aceitaria — não por não querer, mas porque uma garota assim, quanto mais você lhe dá o que ela quer, mais fácil ela se vira e vai embora. Mantê-la pendurada, fazê-la rastejar até mim e implorar sozinha, é como se arranca de fato o domínio para dentro da palma da mão. Ergui o canto da boca e disse, palavra por palavra: “Eu tenho princípios. No primeiro encontro, não aceito esse tipo de coisa.”

[Ela - Protagonista]

As palavras “eu tenho princípios” desabaram, e minha mente ficou em branco com um zumbido. Ser recusada era algo que eu quase nunca tinha vivido, ainda mais depois de ter falado tão claramente. Vergonha e inconformismo queimaram meus lóbulos de vermelho num instante, mas o pior de tudo era — lá embaixo tinha ficado até mais quente, minha calcinha toda escorregadia. Minha razão me xingava de patética, mas meu corpo era honesto a um grau enlouquecedor: quanto mais ele se continha, quanto mais me negava, mais aquele pensamento de “eu tenho que tê-lo” crescia selvagem dentro de mim. Então era isso que se sentia, sendo mantida pendurada por alguém.

[Ele - Atleta Estrangeiro]

Vi o rosto dela ir do espanto ao inconformismo, e daí àquela umidade impossível de conter no fundo dos olhos, e soube que o fogo já estava aceso. Empurrei para o banco um cartão de hotel, com o nome do hotel escrito, e me virei para o chuveiro, deixando por cima do ombro uma frase: “Quando tiver pensado bem, amanhã à noite, venha você mesma até mim. Não gosto de fazer as coisas pela metade num lugar destes.” Antes de a água começar, ouvi-a de pé ali, sem se mexer por um bom tempo — aquele longo silêncio me convenceu, mais do que qualquer gemido: ela viria.

[Ela - Protagonista]

Ele entrou no chuveiro, a água jorrando e abafando tudo. Fiquei olhando o cartão sobre o banco, o peito ainda nu, o coração batendo como se eu tivesse acabado de correr um tiro de intervalo. Eu podia pegá-lo, ou podia me virar e ir embora, provar que não era tão fácil de decifrar. Mas minha mão, um passo à minha frente, fechou o cartão na palma. Com a ponta dos dedos pressionando aquele cartãozinho fino, ouvi a mim mesma admitir a derrota por dentro — amanhã à noite, eu com certeza iria. E eu sabia muito bem o que aconteceria quando fosse.