No nono dia após o término, Su He se enfiou no voo noturno para Bali, junto à janela, sem fechar os olhos o caminho todo. O spa do resort ficava na ponta dos recifes, uma cabana de madeira suspensa sobre a água. Ao empurrar a porta, o primeiro cheiro não foi de óleo essencial, e sim de maresia. A maré baixa estirava a praia bem longa, e alguns caranguejos-eremita rastejavam de lado.
O terapeuta se chamava Kadek, bronzeado cor de mel, e ao apertar sua mão ela sentiu os calos das pontas dos dedos dele. «Miss, corpo inteiro?» O chinês saía bem devagar. Ela deitou-se de bruços, o rosto encaixado no buraco redondo, vendo apenas os pés descalços dele e as veias da madeira do chão. Ele ajeitou a toalha para baixo e pousou uma palma sobre seu ombro esquerdo. Ela soltou um «sss» — não de dor, mas porque aquele ponto tenso há tempo demais foi tocado de surpresa.
«Dura feito pedra.» Os dois polegares dele apoiaram-se abaixo da omoplata, moendo devagar. Ela não respondeu. Aquele nó fatal que, nesses nove dias, ela mesma massageara, contra o qual esbarrara no batente da porta e sobre o qual colara três emplastros sem soltar, ele acertou em dois movimentos. A água sob a cabana balançava de leve. Ela enterrou o rosto no buraco e só então percebeu que, em algum momento, as bordas dos olhos tinham se molhado — ainda bem que ele não podia ver.