O vestido de empregada em Jinan

Capítulo 1同病

Andarilho · 1596 palavras · Português

【Solteiro·Eu】Naquela noite eu não conseguia dormir e, por impulso, folheava aquelas caixas de conversa silenciosas no celular. A luz fria da tela batia no meu rosto, e eu deslizava para baixo linha por linha até parar de repente num registro de conversa que alguém havia encaminhado — um jovem casal, recém-casado, que pela primeira vez juntou coragem para querer marcar um encontro com alguém, acertou o horário e o local, e no fim a outra parte não apareceu. A última frase que aquela mulher enviou, «Então deixa pra lá, será que a gente não é bom o suficiente», me deu um nó no peito ao ver. Eu entendia bem demais aquela sensação, de se entregar todo animado e receber de volta só silêncio. Fiquei olhando aquela frase por muito tempo, como quem se olha no espelho.

【Jasmim·Esposa】Na noite em que levamos o bolo, eu dobrei o vestido de empregada e o sacudi de novo, sacudi e dobrei de novo, e no fim o enfiei no fundo do armário. Fui eu que primeiro tive a ideia, e também fui eu que primeiro me acovardei. Sentada na beira da cama, o rosto pegando fogo, e por dentro envergonhada e irritada — a vergonha de ter de fato criado expectativa, a raiva de nem conseguir a vez de ser tratada a sério uma única vez. O Xiaonan (meu marido) veio me abraçar e disse que tudo bem, ainda tem próxima vez, e eu escondi o rosto no ombro dele, sem deixá-lo ver que eu tinha os olhos vermelhos. Afinal eu queria mais do que eu imaginava, e essa descoberta me deixou mais constrangida.

【Xiaonan·Marido】Fui eu que propus, e também fui eu que a puxei passo a passo até aqui. Vendo a Jasmim, naquela noite, aguentar firme dizendo «tudo bem», por dentro eu estava até mais entalado que ela. Eu quis dar a ela algo novo, um segredo só nosso, e no fim tropecei logo no primeiro passo. Deitado ao lado dela, ouvindo a respiração dela aos poucos se acalmar, fiquei pensando se não seria melhor deixar isso pra lá. Mas eu não conseguia — não conseguia largar aquela lucezinha nos olhos dela, que tinha acabado de ser acesa e logo apagada.

【Solteiro·Eu】No meio-dia do dia seguinte, hesitei muito diante daquele avatar desconhecido. Meus dedos digitavam no teclado, apagavam, digitavam de novo, apagavam de novo. Eu não queria escrever aquele tipo de abertura oleosa, então me apresentei com toda honestidade: quantos anos, o que faço, como sou de temperamento, e no fim acrescentei uma linha: «Ontem à noite eu vi o que aconteceu com vocês, achei muito injusto; vocês merecem ser tratados a sério.» No instante em que enviei, meu coração batia como o de um ladrão.

【Solteiro·Eu】E então veio a longa tortura. Virei o celular de cara para baixo na mesa, me contendo para não olhar, e não me contive nem três minutos antes de virá-lo de novo. Nenhuma resposta. À tarde não; ao fim de tarde também não. Eu, enquanto me xingava de afobado, não conseguia deixar de pensar se tinha dito alguma frase errada. O céu foi escurecendo aos poucos, e eu quase me convenci de que era mais um vazio.

【Jasmim·Esposa】Aquela apresentação eu, na verdade, tinha visto ao meio-dia. Não me atrevi a responder. Reli-a repetidas vezes, até saber de cor. Ele não pediu foto de cara, nem disse nenhuma daquelas frases que fazem a gente enrubescer, só disse que nós «merecíamos ser tratados a sério». Foi justamente essa frase que fez aquela corda sempre esticada dentro de mim afrouxar um pouquinho, em silêncio. Mas eu ainda não me atrevia a responder, com medo de criar expectativa de novo e de novo cair no vazio.

【Xiaonan·Marido】À noite ela me passou o celular para ver, os olhos brilhantes, fingindo indiferença: «Olha esse aqui.» Li linha por linha, ainda mais devagar que ela. A pessoa escrevia com sinceridade, sem se gabar, sem se supervalorizar; nas entrelinhas era alguém que tratava as pessoas como pessoas. Ergui os olhos para ela — a boca dizia «como você quiser», mas a ponta dos dedos torcia a barra da camisola até amassá-la. Sorri: «Então respondemos uma linha?»

【Jasmim·Esposa】Só quase às onze é que deixei o Xiaonan responder aquela mensagem por mim. No instante em que apertei enviar, escondi o rosto no cobertor, o coração batendo como se eu tivesse acabado de correr uma volta inteira. Na verdade era eu que estava vendo as fotos, era eu que estava conversando com ele, só que deixei o Xiaonan na frente me servindo de escudo, como se assim ficasse menos constrangedor. Mas eu lia cada palavra com muito cuidado, tão cuidadosamente que até a mim mesma dava vergonha admitir.

【Solteiro·Eu】Às onze, a tela acendeu. Naquele instante eu quase deixei o celular cair. Conversamos bem devagar e também com bastante firmeza. Deixei claro que era a primeira vez deles e coloquei na mesa todas as ressalvas que precisavam ser ditas: não precisam se tensionar, o ritmo vocês definem, a qualquer momento podem parar. Repassei mentalmente o roteiro do encontro, uma e outra vez, querendo ao máximo fazer com que quem era de primeira viagem se sentisse à vontade, cuidado. Conversamos até de madrugada, e aquela caixa de conversa antes gélida foi, aos poucos, ganhando temperatura.

【Solteiro·Eu】Nos dias seguintes, coloquei quase todo o meu foco na comunicação. Usando um pouco da experiência de quem já passou por isso, fui desmontando aos poucos a insegurança deles. Reservei com antecedência o hotel em Jinan e pensei cada etapa de forma mais detalhada, mais suave — não por pressa de fazer as coisas, mas para que, quando ela entrasse naquele quarto, não se sentisse uma transação, e sim algo esperado com desejo.

【Jasmim·Esposa】Nesses dias conversamos cada vez mais. Ele não pressionava, nem passava dos limites, de vez em quando fazia uma brincadeira sem sal nem açúcar e me fazia rir. Percebi que comecei a torcer para o celular acender. Uma noite, diante do espelho, tirei de novo aquele vestido de empregada dobrado e o encostei no corpo, o rosto ficando muito vermelho. Uma voz bem baixinha dentro de mim dizia: desta vez, talvez seja mesmo diferente.

【Xiaonan·Marido】Chegando o fim de semana, eu, ao contrário, estava até mais nervoso que a Jasmim. Ele é que estava tranquilo, disse que na sexta era só controlar um pouco a alimentação, alongar e relaxar, dormir cedo, o tom como o de um velho amigo. Vendo a Jasmim experimentar roupa no quarto e tirar de novo apressada, indo e voltando várias vezes, de repente senti que só essa expectativa reacesa já valia a pena. Desta vez, eu não queria decepcioná-la de novo.