A marcação da madrugada

Capítulo 1深夜订单

Rio Shen · 220 palavras · Português

No ramo da massagem a domicílio, os pedidos da madrugada são os que mais testam a gente. À meia-noite peguei um pedido, o endereço um apartamento no centro, o bilhete com apenas oito palavras: insônia, apenas terapeuta homem. Hesitei por dois segundos — de madrugada, uma mulher morando sozinha, um terapeuta homem pedido de propósito; todo colega do ramo conhece o tom delicado de um pedido assim. Mas aceitei mesmo assim. Disse a mim mesmo: vou até lá para trabalhar.

Quem abriu a porta foi uma mulher de pouco mais de trinta anos, sem maquiagem, com leves olheiras, vestindo um pijama largo — dava para ver de cara que fazia muito tempo que não dormia bem. “Entra,” disse ela, a voz muito baixa, “deixei tudo pronto na sala.” O lugar estava muito limpo, e muito vazio, vazio de um jeito que parecia sem vida. De repente entendi: a insônia dela provavelmente não era só uma questão do corpo.

“É só deitar de bruços.” Lavei as mãos e pressionei a nuca dela por cima de uma toalha fina. O corpo dela inteiro estava rígido, rígido como uma placa de ferro soldada e travada. “Relaxa,” eu disse, a base da palma desfazendo aos poucos os nós duros na base do pescoço dela, “esses seus ombros ficaram tensos por tempo demais.” Ela não disse nada, mas eu sentia que, à medida que aquele nó ia se soltando devagar, a respiração dela ia, pouco a pouco, ficando mais longa, mais funda. No meio da massagem, ouvi um som levíssimo — ela estava chorando, bem baixinho, abafado na toalha.

Não parei, e não toquei no assunto; só deixei o toque ainda mais suave. O que alguns clientes querem não é uma massagem, mas que alguém, enfim, se disponha a tocar direito um corpo que eles mantiveram tenso por tempo demais. Quando aquela hora acabou, ela se sentou, os olhos vermelhos, mas como se tivesse posto algo no chão. “Dá para … acrescentar mais uma hora?” ela perguntou. “Não quero ficar sozinha.” Olhei para ela e, a técnica que eu já tinha meio guardado, estendi de novo.