Noite de trovoada, a pós-doutoranda

Capítulo 1雷电预警

Andarilho · 280 palavras · Português

【Eu · homem solteiro】A tela do celular acendeu: alerta amarelo de raios. Choveu muito nesta cidade este ano, eu já estava acostumado, sem saber que uma tempestade de raios e trovões se preparava não muito longe dali. Sete da noite, eu, exausto, batucava no teclado e, num intervalo, dei uma olhada nas mensagens; vi a do Sr. D, de um minuto atrás: — Olá, você está aí? Logo depois, uma segunda saltou: — Somos um casal em viagem de turismo, será que você tem tempo hoje à noite?

【Eu】— Assim tão de repente? — respondi. — Minha esposa leu o seu post e de repente ficou com muita vontade de experimentar, você consegue vir agora? Curioso, abri a apresentação do casal e, para minha surpresa, era um casal cujas fotos, quando entraram no grupo, já haviam causado um certo furor — a qualidade das fotos era boa demais, quase foram confundidas com imagens de internet. Mas na apresentação estava escrito com clareza — homens solteiros nem se aproximem —, o aviso importante repetido três vezes; como é que me procuravam por conta própria? Entre a perplexidade e a surpresa, respondi: — Bem… pode ser.

【Eu】— Olá, você pode trazer meia-calça preta? Quero tirar umas fotos de lembrança. — Claro, pode ser. — Minha esposa é meio tímida com estranhos, seja delicado no toque. — O Sr. D falava com muita educação, o que sempre me pareceu não combinar com aquela pressa. Enquanto adiantava o trabalho que tinha em mãos, eu ficava pensando naquele casal misterioso. Lá fora já estava escuro, um relâmpago rasgou meio céu — aquela noite estava inacreditável.

【Ela · esposa】E do outro lado, no hotel, ela estava sentada à beira da cama, mais nervosa que qualquer um. Ela pulou séries, entrou na faculdade aos dezesseis, hoje faz pós-doutorado numa universidade de ponta — inteligente, distante, já viu de tudo, mas justamente nesse tipo de coisa era como uma novata. Foi ela mesma quem leu aquele post, e aquela comichão indevida no peito a deixou uma noite inteira sem dormir direito. Disse ao marido que queria experimentar, e ao dizê-lo o rosto já ardia. Naquele momento ela encarava a porta, ao mesmo tempo torcendo para que o estranho chegasse e temendo que ele chegasse, as mãos sobre os joelhos, as pontas dos dedos geladas.

【D · marido】O Sr. D estava sentado ao lado dela e conseguia sentir o frio na palma da mão dela. Foi ela mesma quem se comoveu ao ler o post, mas, chegando de fato a este ponto, ele sabia que ela estava mais assustada do que ninguém. Ele apertou a mão dela: — Se não quiser, deixa pra lá, é só dizer para parar a qualquer momento. — Ela balançou a cabeça, disse que queria tentar. No peito dele havia um misto que ele não sabia nomear — havia dó, havia nervosismo, e também um pouco de expectativa que ele não queria admitir, a de ver a esposa completamente acesa. Ele queria demais saber quem, no fundo, se escondia dentro daquela esposa que, mesmo com ele, era sempre tão quieta e serena.