Indo até ele só de trench coat

Capítulo 1他家的浴室没关灯

Andarilho · 1623 palavras · Português

[Ela · A Namorada]

Mandei uma mensagem para o Zhou Hang: não me espere para o jantar hoje, você está ocupado. Ele respondeu na hora com um “Tá, se cuida”, junto de um emoji de abraço. Fiquei encarando aquele emoji por dois segundos e virei o celular de cabeça para baixo na mesa. Ele fez hora extra dezenove dias este mês. Eu contei. Não estou reclamando—ele foi promovido a diretor, ficar ocupado vem junto. É só que percebi que, nesse meio ano em que ele anda tão ocupado, eu fiz crescer uma outra vida inteira em outro lugar, uma vida que ele não conhece de jeito nenhum. A entrada dessa vida é o número da porta de um homem chamado P. Quando o conheci, ele olhava minha expressão antes mesmo de ousar tocar minha mão. Três meses depois, semana passada, naquele restaurante sichuanês embaixo do escritório dele, ele enfiou a mão por baixo da toalha de mesa e deslizou por dentro da minha coxa até a virilha, por cima do meu vestido, enquanto dois colegas dele estavam sentados à mesma mesa. Minha mão tremeu ao pegar a comida, mas ele conversava sobre relatórios trimestrais sem mudar o rosto. Odeio essa compostura dele—e foi a partir daquele dia que me flagrei começando a torcer para o Zhou Hang fazer hora extra.

[P · O Amante]

Quando ela avisou que estava lá embaixo, eu estava limpando o espelho do banheiro. Não para me olhar—eu sabia que dali a pouco ela ia estar em frente àquele espelho, e queria que ela visse bem. Nesses meses eu desvendei uma coisa dela: a boca dela diz “fora não”, “e se alguém ver”, mas toda vez que eu de fato a toco num lugar semipúblico, ela fica mais molhada ali do que na cama. Naquela vez no restaurante, semana passada, quando puxei meus dedos de baixo da saia dela, as polpas estavam escorregadias dela. Ela é do tipo que precisa ser empurrada—quanto mais você a empurra para além do limite, mais ela amolece. Por isso nunca pergunto a ela “tá tudo bem”, eu só faço, e depois observo ela se debater entre a vergonha e o querer. A campainha tocou, fui abrir a porta. Hoje ela veio com um vestido de tricô bege, e no instante em que entrou eu a prensei contra o sapateiro da entrada. Não me apressei em despi-la—só encostei a boca atrás da orelha dela e perguntei: “E o Zhou Hang?” Ela disse que estava de hora extra. Eu sorri: “Então hoje à noite você é minha.”

[O Namorado]

A reunião de balanço trimestral foi até as nove e meia, e eu roí um sanduíche frio na sala de reuniões. A tela do celular acendeu—uma mensagem da Lin Wan dizendo para não esperá-la para o jantar hoje. Respondi com um abraço, e aquela pontinha de culpa voltou a espreitar—nesse meio ano eu realmente deixei ela sozinha em casa vezes demais. Estamos juntos há dois anos, e sempre a vi como o tipo de namorada tranquila, estável, que não gruda; eu faço hora extra e ela nunca faz drama. Hoje ela disse que ia a um encontrinho de colegas de faculdade. Eu disse tá, se divirta. Até senti um certo alívio—ela tem a vida social dela, então não preciso me culpar por nunca conseguir fazer companhia. Depois da reunião fiquei sentado um tempo no estacionamento, pensando que, quando este projeto terminar, eu devia levá-la a Sanya, para compensar. Mandei para ela: quando o trabalho acalmar, te levo numa viagem. Ela respondeu “Claro” depois de um bom tempo. Achei que a festa estivesse barulhenta demais para ela olhar o celular.

[Ela · A Namorada]

A luz do banheiro dele é de um amarelo quente, com a porta aberta, e o vapor da água quente foi subindo aos poucos pelo espelho. O P tirou meu vestido de tricô por cima da cabeça, sem pressa, mas nunca o achei lento—cada movimento dele parecia planejado havia muito. Ele não se despiu primeiro; me pôs nua embaixo do chuveiro, depois entrou também, espremendo sabonete líquido nos meus ombros por trás, empurrando devagar para baixo com as palmas. As mãos dele são mais largas que as do Zhou Hang, e mais ásperas, e as juntas dos dedos roçaram minha clavícula, meu peito, minhas costelas, parando por fim no meu baixo-ventre. “Vira para cá,” ele disse. Eu me virei e, através de uma camada de espuma e água, vi que ele também estava duro. Não sei desde quando virei assim—o tipo que, no banheiro de outro homem, por vontade própria pousa a mão coberta de sabonete e o masturba, uma puxada de cada vez. O pomo de adão dele se moveu, mas ele não fez som, só olhou para baixo, para a minha mão, o olhar como quem inspeciona a mercadoria.

[P · O Amante]

Enquanto ela me masturbava, eu encarava o espelho. Metade estava embaçada, mas eu conseguia ver a postura totalmente ajoelhada dela—mesmo ela ainda estando em pé. A água escorria pelo sulco das costas dela, deslizava para a curva da cintura, e mais para baixo ficava o lugar onde eu ia entrar dali a pouco. Ela tem a barriga lisa, os seios pequenos, rosados, e a água quente fez os mamilos dela ficarem eretos. Estendi a mão para apertá-los e metade do corpo dela amoleceu, encostando em mim. Não gosto de ir direto ao ato—gosto de levá-la à beira daquele estado de “implorar” e então parar. Tirei a mão dela de mim e, com o dorso da mão, desliguei o chuveiro: “Sai, veste alguma coisa.” Ela travou por um segundo, e aquela coisa insatisfeita no olhar dela era exatamente o que eu queria. “Vestir o quê?” ela perguntou. Eu disse: “Aquele conjunto que você enfiou na minha gaveta da última vez. Você sabe muito bem para que trouxe.”

[O Namorado]

Parado num sinal vermelho a caminho de casa, pensei de novo em como éramos quando começamos. Naquela época eu ainda não tinha sido promovido, tinha um monte de tempo à noite, e a gente conseguia se enroscar no sofá vendo série a noite inteira. Ela apoiava as pernas nas minhas e pedia para eu descascar uma tangerina para ela. Não sei desde quando começou, mas agora, quando chego em casa, ela geralmente já está dormindo, ou passando o celular com uma máscara facial, e depois do banho eu desabo direto no sono. A última vez que a gente transou direito foi… eu de fato não conseguia lembrar que dia. Essa constatação me deixou um pouco inquieto no sinal vermelho. Arrumei uma desculpa para mim mesmo: vai ficar tudo bem quando eu passar por essa fase. O sinal abriu, pisei no acelerador e empurrei aquela inquietação para baixo de novo. Cheguei em casa e estava escuro, ela ainda não tinha voltado. Acendi as luzes, deixei a luzinha de presença da entrada acesa para ela, tomei banho e fui dormir. Antes de dormir olhei o celular mais uma vez; ela não tinha respondido de novo. É uma festa, pensei, com certeza ainda não acabou.